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noite de eleições + sopranos
rosas
innersmile
O meu pc aqui do W é a coisa mais obsoleta que se pode imaginar. E então quando se alia a sua obsolescência à lentidão exasperante da rede, qualquer clique, por mais simples e modesto, é obra para largos minutos. Atendendo a que o meu portátil lá de casa tem menos memória que uma torradeira, as minhas viagens na net são sempre longa distância, despedidas emotivas, lenços brancos no cais. Oh shoot me...

Estas eleições foram as mais interessantes dos últimos anos. E, tal como antigamente, tudo começou muito tarde, perto da uma. O suspense, o drama, as demissões, os discursos de vitória, as crispações, as apoteoses à janela, os volte-faces ("volte-feice", à inglesa, como ouvi no outro dia alguém dizer na TV), as surpresas. Enfim, todos aqueles condimentos que, como li algures, transformaram a madrugada de segunda-feira num óptimo programa de televisão. A única coisa que verdadeiramente deploro nos resultados eleitorais, é a perspectiva do regresso em força dos laranjinhas; eu já trabalhei com eles e com os boys dos jobs, e, de uma maneira geral (claro que há excepções), a rapaziada socialista é mais tolerante e bem-disposta que a rapaziada social-democrática. Estes são mais vingativos e implacáveis: se não se diz Amen a tudo, eles lixam-nos na primeira oportunidade. Mas tirando este aspecto, o resto foi divertido, mais naquela vertente de ver os pê-ésses a levar no trombil (a derrota no Porto foi mesmo saborosa) do que por ver os outros a ganhar.
Ah, mas achei o resultado em Lisboa injusto: o Soares Filho sempre tem feito alguma obra, sobretudo de carácter social. Além disso sempre apoiou a comunidade gay e lésbica, dando-lhe visibilidade e condições para trabalhar com dignidade. A maneira como lidou com a droga foi menos hipócrita e mais pragmática do que é habitual. Fez obras que foram incómodas, mas que resultaram muito bem, como a do Rossio. Aceitou com espírito democrático a vontade geral das pessoas quando era contra ele, como aconteceu com a história do elevador. Enfim, ajudou a transformar Lisboa numa grande cidade europeia, deu-lhe visibilidade em termos internacionais, aliou-a a causas humanitárias interessantes. Revelou que tinha uma ideia para a cidade e, com método, tentou concretizar essa ideia. O Santana Lopes ainda não provou rigorosamente nada, a não ser que é um (not so) jovem turco da política. Ninguém lhe retira a geitaça para a política, mas para se ser um homem de estado, é preciso ter ideias e cultura, e não me parece que ele tenha muito de uma coisa e outra.

O episódio de ontem dos Sopranos foi quase genial. É, sem dúvida, a melhor série de tv que está a passar e uma das melhores de todos os tempos. Não tanto por causa da história, mas sobretudo por causa da narrativa, que é de uma subtileza e de uma eficácia absolutas. Tudo o que de importante se passa, passa-se nas entrelinhas. Desse modo, a história avança quase sem darmos por isso, a narrativa progride sem ser anunciada. Os grandes momentos de rutura (os assassinatos, por exemplo) são feitos sem espalhafato dramático, o que é importante para ajudar a compor o carácter brutal e detached dos personagens. O humor está sempre presente, e quase sempre através do absurdo das situações, e da forma como esse absurdo é tratado como se fosse o cúmulo da normalidade. Tony rules, claro, sobretudo porque personifica o tom cool e ao mesmo tempo altamente perturbado, daquela sociedade e daquela maneira de viver que, afinal, e por muito estranha e distante que pareça, é a nossa.