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Harry Potter
rosas
innersmile
Fui ver o filme do Harry Potter: fun fun fun.
Ok, eu concordo que a campanha de marketing é um bocado enjoativa, mas hey! welcome to the consumer's society (como diziam os X-Ray Spex, numa altura em que nós, em Portugal, tentávamos passar do feudalismo para o liberalismo sem passar na casa da partida e sem receber os dois contos...). Não há nada a fazer, a não ser tentar reagir com algum senso-comum ao ataque das multinacionais (calculo que seja um pouco difícil falar em senso-comum quando se tem putos que querem ter tudo o que tenha a marca do master Potter!)
O filme claro que não é nenhum prodígio da sétima arte, nem era isso que se esperava. Ninguém vai ver um filme destes à espera de ver um bom filme, de aumentar a sua cultura cinéfila. Nopes, o que este tipo de filmes faz é uma aposta pura e dura no divertimento, no entertainment, e, nesse aspecto, estamos conversados: o filme tem a eficácia e a segurança dos bons produtos da indústria (ou não fosse realizado por um dos seus mais competentes artífices, Chris Colombus).
O que torna o filme divertido é aceitarmos a sua proposta e levar a fantasia a sério; aceitar as regras do jogo e tentar olhar para o filme como se tivéssemos 11 anos.
Aliás, o truque do sucesso do Harry Potter (dos livros e, agora, do filme) está, acho eu, aí: criar um dispositivo simples, cuja eficácia depende exclusivamente da nossa vontade de aderir a ele; não há cá gadgets complexos, surpresas tecnológicas, prodígios virtuais. Os ingredientes são clássicos, já que a história remete para o universo imorredoiro das fairy tales, vertente feitiços e bruxaria. J.K. Rowling trata esse universo encantado com o ar casual do quotidiano, ou seja, sem dramas, como se tudo se passasse num ambiente da mais absoluta normalidade. Ao leitor apenas pedia que percebesse o dispositivo e a ele aderisse por força de um mero princípio de vontade, ou seja, segundo as regras do faz-de-conta.
Que esse protótipo tenha acertado em cheio no bingo do sucesso comercial, e que rapidamente se tenha desenvolvido para um produto de rande consumo, é daquelas inevitabilidades da sociedade em que vivemos. Antes assim, porque, por entre os números fantásticos do sucesso comercial, haverá sempre um miúdo qualquer para quem fantástico mesmo é poder estender a mão sobre a vassoura, dizer um peremptório "up" e levantar voo em direcção à aventura.
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