November 30th, 2001

rosas

olha daisy, quando eu

Falei agora mesmo com o meu sobrinho que acabou de ser operado a um joelho no hospital militar de Coimbra. Correu tudo bem e eu confesso que estou aliviado. Esta situação, e as ondas de choque que provoca na família, tem-me estado a causar alguma ansiedade.

Um pouco ansioso também com a fim-de-semana que se aproxima: o A. vem cá passar o fds e, se isso por si só bastava para me causar alguma confusão, pior com esta situação do sobrinho; tenho sempre alguma dificuldade em gerir situações em que a minha atenção e disponibilidade têm de ser dispersadas por solicitações diversas e, muitas vezes, incompatíveis. Fico sempre com a sensação de que estou como o tolinho no meio da ponte...

Morreu hoje o George Harrison. Ok que esta morte não é tão chocante como a do John Lennon: por um lado porque, de certa forma, foi uma morte anunciada; depois porque não resultou de um brutal acto de violência como a do Lennon; e, finalmente, porque o Lennon foi assassinado na flor da idade, e o Harrison morreu de uma doença degenerativa que é típica da velhice. Mas, por isso mesmo, é, digamos, uma morte mais significativa: quando um herói morre jovem, é um mártir da revolução; quando um herói morre de velho, é a própria revolução que envelheceu...

A natura colocou este post com uma coisa que me chamou particularmente a atenção: diz ela que a dor de ver morrer as pessoas que ama é tão insuportável que como que deseja ser ela a primeira a morrer. Também já pensei assim, mas hoje não posso fazer essa generalização: há pessoas (que eu amo, note-se; estamos só a falar daquele círculo de pessoas a quem amamos acima de tudo) que eu acho que vão suportar relativamente bem a minha morte, ou seja, vão sofrer mas vão ser capazes de viver com esse sofrimento e mesmo de o ultrapassar. Em relação a essas pessoas, que são, de uma maneira geral, aquelas que são mais novas do que eu, é natural que eu morra primeiro. A vida como que espera isso de nós.
Mas há pessoas para quem a minha morte iria provocar um sofrimento verdadeiramente insuportavel, enlouquecedor, e em relação a essas não tenho dúvidas: prefiro ser eu a sofrer a dor da sua ausência do que imaginar sequer o quanto poderiam sofrer com a minha.

Isto, mais do tétrico, está com um tom verdadeiramente funéreo! Mas se calhar tem tudo a ver com o facto de hoje fazer anos que ele morreu. Acho mesmo que é o único aniversário de morte que eu sei, e do qual me lembro todos os anos (mas também nunca me esqueço, no dia em que faz anos que ele nasceu). Olha Daisy, quando eu morrer...