November 7th, 2001

rosas

sweet bird of youth, by brooks

Acabei de ver, na TCM, Sweet Bird of Youth, o filme que Richard Brooks fez com base numa das mais emblemáticas peças de Tennessee Williams. Apesar de já ter lido a peça, e de já a ter visto representada (mais do que uma vez, inclusivamente pelo National Theatre, no South Bank de Londres), nada chega ao brilho desta adaptação ao cinema de Brooks. E o mérito vai todinho, claro, para Geraldine Page e Paul Newman. Os dois actores elevam as personagens de Alexandra Del Lago e Chance Wayne à categoria de monstros supremos, que se consomem a si próprios e devoram-se um ao outro, com a intrepidez e a violência de um fogo florestal.
Williams, apesar das suas peças serem clássicos de qualquer reportório, não é um dramaturgo fácil. O lirismo exacerbado, o desespero e o descontrolo dos personagens, a violência emocional, tornam extremamente difícil acertar no tom certo para que não se transformem num exercício um pouco histérico e ridículo, de emoções à flor da pele. Sendo um dos meus autores preferidos, não têm sido muito recompensadoras as oportunidades de ver as suas peças encenadas em palco (algumas, como 'A Rosa Tatuada', do La Féria, roçavam mesmo o desrespeito à peça, carregando forte no tom água com açucar). Mas o cinema tem sido verdadeiramente glorioso cada vez que uma das peças de Williams é adaptada: Um Eléctrico Chamado Desejo (o trio de actores mais carregado do cinema, com vitória aos pontos para a Blanche DuBois de Vivien Leigh), este Sweet Bird, A Noite de Iguana (Burton e Ava para sempre), The Glass Menagerie, com realização de Newman (e com Malkovitch no papel de Tom), Gata em Telhado de Zinco Quente (sublime Taylor), Bruscamente no Verão Passado (Monty Clift sombrio sombrio), são aqueles filmes que nos vêm imediatamente à cabeça, e que elevaram a densidade das obras de Williams ao máximo exponente possível, num universo de seres desencantados e sofridos, vítimas de si próprios ou, tão somente, do mero acto de respirar.
"Each one of us has it's own private hell to go to"