October 31st, 2001

rosas

Capitão Corelli

O dia hoje começou muito mal, com aquela sensação de que a vida nos escorraça. Depois as coisas compuseram-se. A manhã foi muito chata, em reuniões infindáveis, aborrecidas e muito improdutivas; mas como eu estava a ser mais espectador que participante, e uma das coisas que se estava a evidenciar era que as reuniões que eu liderei correram muito melhor, até que fiquei um pouco divertido. Além disso, pus o meu ar de sei mais disto do que estou a deixar transparecer o que suscitou olhares cúmplices de alguns dos participantes; e mais, não perdi a oportunidade de deixar ficar mal quem tem a mania que é melhor do que os outros. Eu sei que isto tudo tem uma dose de maldade muito grande, mas se há coisa que eu não suporto é a arrogância dos néscios.
Se há pessoa que não tem qualquer espírito competitivo é yours truly; não tenho e, além disso, sou tão ansioso quando o resultado não depende apenas de mim, que dispenso a dose de agressividade inerente a qualquer ambiente muito concorrencial. Se dependesse de mim, o clima de trabalho era sempre uma espécie de anúncio da Coca-Cola. É por isso que me dou tão bem com algumas das minhas colegas: entre nós não há qualquer competitividade, por isso confiamos tanto uns nos outros ao ponto de, quando é preciso, discutimos até nos insultarmos e, logo a seguir, estamos juntos na maior.
Mas há algumas pessoas que acham que a melhor forma de se safarem é criarem problemas aos outros, para além de terem essa atitude irritante (e desastrosa) de acharem que sabem mais do que os outros (nomeadamente, quando são novinhos, daquela geração yuppie que acha que os velhos não sabem nada de geito). Ora, o diabo sabe muito não é por ser diabo, mas sim por ser velho, e eu, para o melhor e para o pior, começo a ser uma mula velha; deixo-me estar sossegado, deixo-os fazer o seu número (se for preciso até lhes dou um bocadinho de corda...) porque sei que, mais tarde ou mais cedo, se vão espalhar.

And now for something completely different! Fui, no fim-de-semana passado, ver o Capitão Corelli. Eu sei que o filme não grande coisa, e que o segmento da guerra até é um bocado aborrecido, e que este tipo de melodrama triângulo-amoroso-em-tempo-de-guerra está um bocado estafado (apesar de este filmezinho, nesse aspecto, poder dar aulas a pastelões tipo 'Pearl Harbor'). Mas quando o Nick Cage aparece a marchar à frente das tropas, e grita para o pelotão "Bella Bambina at two o'clock" é impossível não ficar imediatamente agarrado ao personagem! Só um grande actor tem essa capacidade de nos prender assim logo no primeiro fotograma em que aparece. John Hurt e Irene Papas (que saudade dos dois!) mostram que um personagem, mesmo secundário, é sempre feito de olhares e gestos subtis (o Christian Bale já teve melhores dias, nomeadamente no American Psycho, e a Penelope Cruz tem muito para andar...). Os actores, já devo ter dito isto por aqui, são apenas uma das boas razões para gostar de um filme.

(mais tarde) Acabou o blackout. De repente, a friends' page do meu LJ começou a ganhar vida...