October 25th, 2001

rosas

The Weekly Isherwoods' Entry

"Again and again, I find this about dreams: one can analyze them psychologically right along, as they unroll. In the action of real life you can seldom do that.
You watch yourself, in dreams, much more conscously."


Habituamo-nos a considerar os sonhos um terreno mais ou menos selvagem, em que o nosso subconsciente encena tudo aquilo que a nossa razão teme, reprime ou fantasia. Mas, com efeito, eles não são uma espécie de terra de ninguém; enquanto sonhamos mantemos sempre uma atitude vigilante (analítica, pois) em relação ao storyboard do sonho, que nos permite não apenas relacioná-lo, de forma activa, com o seu factor desencadeante, mas inclusivamente determinar o seu destino ao ponto de, quando ele nos parece escapar ao controlo, tomarmos consciência de que, com efeito, tudo não passa de um sonho.

Na vida real, foge-nos completamente essa capacidade de determinar o curso das coisas. Mesmo quando temos a ilusão de que estamos a influir o decurso da história (porque planeámos bem a acção ou porque controlamos todas ou a maioria das variáveis), somos sempre reactivos. Falta-nos essa capacidade presciente de saber o que vai acontecer a seguir. Se calhar, os sonhos são só os mecanismos que conseguimos desenvolver para compensar esse olhar vazio e ansioso para o abismo.