October 14th, 2001

rosas

Swordfish + Families & How To Survive Them

Pois: a maior parte do tempo eu até sei como é que hei-de lidar com toda a teia de relações que compõem a vida familiar: estabeleço um objectivo, defino uma estratégia, escolho as táticas, de forma a que essa rede fina e invisivel se mantenha mais ou menos imperturbada (e imperturbável). Mas às vezes não consigo, normalmente por falta de paciência da minha parte para ceder os compromissos todos que é preciso fazer (estar sempre a re-fazer, aliás) e para usar a dose de bom-senso e senso-comum que é necessária. As coisas complicaram-se, agora que a família aumentou; mas eu também tenho o refúgio da minha casa para fugir às ondas de ansiedade que esta teia delicada me provoca.
Chego a pensar que razão têm os anglo-saxónicos, que cortam as relações familiares, ou melhor, banalizam-nas, ASP. Mas claro que eu não consigo fazer isso. Mas palavra que às vezes me apetecia ser capaz...

Ontem fui ver Swordfish. Não se consegue ver o filme sem relacioná-lo com os atentados de Set.11 - a própria disposição com que o vi é radicalmente outra: já não é possível olhar para o filme com aquele olhar despreocupado e curioso, estudioso mas um pouco diletante, com que olhamos a ficção; agora estamos a ver o filme sempre com a assustadora impressão de que o que estamos a ver pode ser uma versão mais ou menos fidedigna de uma realidade possível (e não já apenas verosímel). Não admira que o filme tenha sido retirado de cartaz dos cinemas americanos a seguir ao atentado. Durante o visionamento nunca estive verdadeiramento divertido ("entertained" é realmente a expressão exacta), mas sempre com um certo incómodo mistura de estar a ver um documentário, e estar a ver alguém a divertir-se à custa da desgraça alheia. Estranho. Eu sei que isto é um lugar comum, mas houve definitivamente uma certa inocência que se perdeu.
Tirando isto, o filme é desinteressante, ou, pelo menos, nada surpreendente. E confesso que já me cansa o ruído cinematográfico das explosões. E dos motores dos automóveis das cenas de perseguição.

A leave pôs esta frase num post, que eu reproduzo aqui porque descreve perfeitamente (ou não fosse ela uma real pro) algumas das sensações que nadar produz:
Sentir o corpo a flutuar, o silêncio debaixo de água, o fundo da piscina, o splash das braçadas, a coordenação dos movimentos, a leveza que se sente quando se nada...
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