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guerra fria
rosas
innersmile
Há qualquer coisa nesta guerra que me deixa frio, adormecido, indiferente. Claro que os atentados me deixaram muito chocado, a sensação de irrealidade foi tão grande que não consigo perceber bem o que se passou nem avaliar o impacto dos acontecimentos na nossa way of life. Mas esta guerra parece-me demasiado falsa para ser verdade: a ideia que não me abandona é a de que a indústria do armamento estava a precisar de aumentar o cash flow.
Além disso, acho inconcebível uma guerra religiosa. Bem, eu sei que, com rigor, todas as guerras se fazem em nome de nada, de abstracções que apenas disfarçam interesses bem concretos de grupos mais ou menos secretos. Mas, mesmo assim, uma guerra religiosa parece-me ser o cúmulo do absurdo: inventa-se um conceito, sopra-se-lhe uma identidade, e a seguir andamos todos à pancada em nome dessa invenção. É assim: eu recuso-me a estar em guerra com o Islão. Não sei o que é isso do Islão e, francamente, não consigo odiar com alguma determinação uma coisa que não sei o que é. E incomoda-me muito saber que há por aí uns camaradas que acham que estão em guerra comigo porque eles sao islâmicos e eu não. Mais, acham que eu sou cristão e, por isso, odeiam-me. O que é um duplo logro: odeiam-me por acharem que eu sou uma coisa que não sou, e, mais grave, odeiam-me por uma coisa que não significa nada para mim.
Eu sei que nas coisas do amor e da guerra devemos ser racionais (ao contrário das coisas da morte, em que podemos ser irracionais à vontade e inventar todas as religiões e mais alguma...), mas esta guerra contra o terrorismo apanhou-me numa fase de spleen, e, por isso, a única coisa que eu quero mesmo é que não me macem (por muito que isto soe a shallow). Ou então façam as coisas como elas deveriam ser feitas e acabem já com estes pseudo-conflitos que envenenam a existência do homem e o fazem alienar-se dos seus verdadeiros problemas.
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