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Moulin Rouge
rosas
innersmile
Acabei de ver Moulin Rouge e estou um bocado confuso. Por um lado não fico insensível ao feerismo camp do filme e à celebração da cultura pop, e da música pop naturalmente, que constitui o seu leque de referências. No entanto, há alguma gratuitidade na grandiosidade do projecto, ao ponto de, por vezes, parecer não passar de um brinquedo muito caro. Aliás, fez-me lembrar uma altura em que eu e um colega do liceu (in illo tempore...), faziamos, com um gira-discos portátil (daqueles dos filmes yé-yé dos lôcos anos sixetis) e um gravador de cassetes, colagens de sons tirados de discos diferentes (na altura, as rádios recorriam muito a este tipo de montagens e nós, artistas multimédia muuuuito avant la lettre ;-), não podiamos deixar de experimentar!).
De qualquer modo, e tirando a sequências demasiado longas do romantismo febril e tuberculoso, é um filme divertido. Divertido igualmente é o quiz que resulta do facto de estarmos sempre a adivinhar, aos primeiros acordes, todas as citações da banda sonora.
Se ver o John Leguizamo é sempre um prazer renovado, é justo destacar a precisão do boneco de Ewan McGregor, a ofuscar a bela, fria e distante Miss Kidman.

A Rt chegou, e parte da tarde foi passada a tentar criar um ambiente envolvente à volta dela. Aliás, só por isso é que aqui estou em vez de ter ido para minha casa.
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viverei os poucos verões até morrer
rosas
innersmile
Não resisto a por aqui versos de um poema de Joaquim Manuel Magalhães, do livro Alta Noite em Alta Fraga, que estive a ler hoje à tarde. O poema é de uma clarividência fulminante sobre o país que somos (fez-me lembrar o Adeus Português do O'Neill). Aliás, todo o livro é intenso e ardente.

(...)
Viverei os poucos verões até morrer
com este mundo de agressão em cerco.
Eu queria outro país, outro lugar
e tenho este infortúnio de leis amarrotadas
que não cumprem nem o violento nem o clandestino.
Um país de acasos,
um parque de campismo selvagem, um cimento apodrecido,
a música de sem abrigos nas estações de metro
enquanto não chegam comboios avariados
às plataformas de arte depredada,
um esboroamento sanguinário.
Até a linguagem que me ergueu
me sabe a sarro e a arrabalde.
(...)



Nota para a corpo_de_chuva: lembrei-me de ti ao ler este livro. Conheces? Se não conheceres, parece-me que irás gostar...