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Nacho Duato+A.I.
rosas
innersmile
Soberbo o espectáculo da Compañía Nacional de Danza, com as coreografias de Nacho Duato. É evidente que o que move Duato é a procura das formas da beleza do corpo, do corpo em movimento, do movimento dos corpos uns com os outros. Mas tudo muito longe do rigor frio do virtuosismo técnico. Claro que a execução é tecnicamente perfeito, mas está tão ao serviço das emoções que transmite, que tudo parece simples.
A minha preferida foi a primeira peça apresentada: arcangelo (as outras foram remansos, com as espectaculares figuras desenhadas no quadrado que constitui o cenário, num contexto de referencias a Lorca, e txalaparta, uma coreografia de grupo, em que a exploração das capacidades rítmicas da música atinge o nível da euforia); a cena final, com a ascenção da dupla de bailarinos a um céu de barroco dourado, é sublime.
No final do espectáculo, Duato veio ao palco agradecer os aplausos que, estou certo, foram sobretudo para ele, para a sensibilidade, simplicidade mas também ambição das suas coreografias. Claro que os bailarinos não desmereceram os aplausos: o entusiasmo e a entrega, a "alma" que puseram nos desempenhos, são o que permite distinguir verdadeiros momentos únicos de bailado.

Acabei de chegar de ver A.I., e ainda estou um pouco confuso. Bem, é frequente eu ficar um pouco speechless no fim dos filmes do Spielberg: ele consegue manter-me de tal forma preso ao écran, absorvido pela história, pelas personagens, pelas emoções que perpassam pelo foco de luz, que, no final, sinto sempre um pouco de dificuldade em regressar à vida real da racionalidade.
Então, para já, há a salientar essa estranha mistura do universo de dois cineastas tão decisivos, marcantes e diversos como Spielberg e Kubrick. E a verdade é que estão ambos no filme, e estão muito, com muita intensidade. E nem sequer vale muito a pena tentar isolar, com rigor de taxonomia, o que é que no filme pertence a um ou a outro. O grande talento de Spielbreg (afinal é ele o concretizador do projecto, o seu único autor vivo, e, nessa medida, a quem incumbem as responsabilidades operacionais do projecto), nesse aspecto, foi mesmo o de se apropriar do universo de Kubrick e fundi-lo no seu próprio modo de filmar e olhar o cinema.
Os temas são os de sempre em Spielberg, e as interrogações (serão as angústias?) as de Kubrick. Mas, desta vez, ou, pelo menos, por esta vez, Spielberg aposta com mais força numa espécie de walk on the wild side, antes da suposta redenção final. E suposta porque, ao contrário do que é habitual nos sues filme, desta vez ET não volta para casa, não se restabelece, no final, a paz emocional. Houve qualquer coisa que se perdeu, e que se perdeu definitivamente.