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Errands
rosas
innersmile
Tarde de sábado deitado no sofá a ler revistas e a ouvir a Erykah Badu. On & on...

A R. entrou para a universidade e sempre vem para cá. Estou entusiasmado, naturalmente, mas também um pouco apreensivo. Tenho algum receio de que lá em casa as coisas não corram tão bem como eu inicialmente previra: muitas personalidades fortes, muitos recalcamentos antigos, muitas coisas que ficaram sempre por dizer... tenho receio de que haja choques. E era uma pena que o teste que representa a vinda dela para cá, falhasse. Pode ser que seja problema meu, mas a verdade é que passei o domingo todo numa tensão incrível, com aquela sensação de que estamos sempre à espera que aconteça qualquer coisa, e então somos muito cuidadosos para não sermos nós a desencadear a crise.
Por outro lado, vai-me obrigar a mudar algumas coisas... Lembrei-me de uma frase da M que se aplica na perfeição: é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma. Pois, aplica-se tal e qual... :)
Bem, há uma coisa que eu tenho de fazer, e rapidamente: pedir uma linha telefónica para minha casa. Está decidido e tem de ser o mais depressa possível. Mesmo que não mude (já tás a fugir com o bico ao prego...), pelo menos levo o portátil para minha casa. O que também me dava geito para o projecto de regresso à escrita (pois...) e para organizar my stuff.

Ok. On & on & on...

Adilia+Nada Te Turbe
rosas
innersmile
Ontem a Adília Lopes despediu-se dos leitores da Pública. Durante todo o tempo em que publicou as suas crónicas dominicais, A Vaca Fria era sempre o que eu primeiro lia de 15 em 15 dias. Adília (como, de certo modo, Luiz Pacheco) é uma daquelas personagens que aparece muito ocasionalmente e que, mercê de uma honestidade desconcertante (a ingenuidade, essa, é toda, e só, aparente), e até um pouco mártir, ajuda-nos a confrontarmo-nos com os sentimentos e as emoções mais puras que trazemos dentro de nós, com o nosso eu mais despido de toda a ganga das normas de convivência social.
Algumas das suas crónicas eram comoventes até às lagrimas, de uma rudeza (não consigo encontrar palavra melhor; estava a pensar em "bluntness") mais desconcertante que a sua própria poesia (o que é curioso: a poesia de Adília, talvez por ser mais literária, mais elaborada, mais subtil, acaba também, de certa forma, por ser um pouco mais dissimuladora; talvez a poesia seja mais de Adília Lopes, e nas crónicas haja mais visibilidade para a Maria José Viana... não sei!) . Talvez isso tivesse motivado algumas cartas de leitores a protestar, amedontrados com essa forma quase mortífera de atingir os outros com as nossas feridas mais sangrantes. Espero, ansiosamente, que alguém se disponha a publicar essas crónicas; com a minha mania de tratar os jornais como coisas verdadeiramente efémeras que são, não guardei nem uma dessas crónicas, apesar de manter viva a impressão (deslumbrada) que algumas me causaram.
Na crónica de ontem, Adília transcreve um poema (uma oração?) de Santa Teresa de Ávila. É um poema lindíssimo, que Adília invoca (não sem uma breve discussão, prosaica, claro, acerca do que se perde nas traduções do poema para português e francês; a tradução em inglês também não faz muita justiça à simplicidade despida de quaisquer artifícios, do poema na língua original espanhola) procurando na razão a serenidade das explicações para os acontecimentos que nos dilaceram a alma.
Não sendo para aqui chamada a fé de cada um, sobretudo daqueles que só a têm no homem e nos seus frágeis limites, aqui fica, à laia de homenagem à Adília Lopes, o poema:

Nada te turbe;
nada te espante;
todo se pasa;
Dios no se muda,
la paciencia
todo lo alcanza.
Quien a Dios tiene,
nada le falta.
Solo Dios basta.