September 12th, 2001

rosas

9.11+Férias na Madeira

Acho que já aqui escrevi que me fascinam esses momentos fracturantes, em que a realidade ultrapassa a nossa mais selvagem imaginação. Aquilo a que ontem assistimos em Manhattan (first we take Manhattan than we take Berlin, como na canção do Leonard Cohen) deixa-nos em estado de absoluta solidão a contemplar o interior agonizante das nossas almas. Aquele lugar-comum de que não há palavras para descrever o que vemos ou sentimos, corporiza-se aqui no silência ensurdecedor de um reactor a jacto. A América, com todas as suas qualidades e todas as suas fraquezas, ou, se calhar, por causa dessas fraquezas e fragilidades, é um país que me fascina em absoluto. Comove-me o seu sentido de comunidade e até alguma ingenuidade emocional com que olham a vida. Além disso, tenho lá amigos, e alguns dos momentos inesquecíveis da minha vida foram lá passados. Pensando nesses amigos, solidarizo-me neste momento em que os americanos se confrontam com os limites do horror.

Cheguei de férias, e tinha mensagens à espera de amigos daqui do livejournal. Foi tão bom sentir a companhia das vossas palavras... Além disso, tinha um e-mail do PSL que já não escrevia há muitos meses e que, por isso, eu julgava perdido. Afinal, ainda anda por aí, e é muito bom saber isso. Devo-lhe algumas coisas bonitas e uma fascinante: a descoberta da poesia admirável da Natércia Freire, que me deu uma daquelas frases que andam sempre comigo: Não te inquietes com a sombra do retrato.

As férias correram bem. Claro que houve pequenos problemas e conflitos, mas como dizia o Isherwood numa passagem dos diários que li precisamente durante as férias, as férias com amigos não são verdadeiras férias sem um pouco de má-língua!
Gostei muito de visitar o interior da ilha e a costa norte, que não conhecia.