?

Log in

No account? Create an account

W complaints+on writing
rosas
innersmile
Vou daqui a um bocado para Lisboa e amanhã para a Madeira. Convenhamos que não é, à partida, o programa de férias mais aliciante: para a Madeira, e numa excursão familiar; mas estou tão farto disto, desta cidade, desta gente, que estou entusiasmado por sair. Só espero que os meus pais não passem o tempo todo a implicar um com o outro, porque não tenho paciência. Mas confio na presença do resto da família para amenizar as coisas.

Já me telefonaram hoje do W a tentar que eu fosse trabalhar à tarde, mas não vai dar porque vamos sair daqui cedo. Tenho alguns problemas de consciência por deixar os colegas numa situação tão aflita, mas, ao mesmo tempo, a minha falta de complacência para os problemas, ou melhor dizendo para os pseudo-problemas, é tão grande que estou aliviado por não estar cá. Não sei se iria aguentar aquele clima todo de nervos e stress e ranger de dentes, quando o resultado é, do ponto de vista do bem comum e do interesse das pessoas, nulo. E é disso que eu estou absolutamente farto: o umbiguismo torna proporções cada vez maiores, e arriscamo-nos a perder totalmente o contacto com o que é essencial na nossa função social ("nossa" da organização, mas também da profissão). Eu aceitaria um emprego meramente burocrático, tipo 9 to 5, mas que estancasse completamente à porta da minha vida pessoal. O que eu não aceito é que o W me tome de assalto por completo, me absorva quase 24 horas por dia, ao ponto de estar available24/7, e tudo isso sem daí resultar nenhuma utilidade, como se a máquina tivesse entrado em modo auto-sustentado total. Enfim, tratar-se-á de uma crise pessoal, e pode ser que passe com as férias, mas não ando nada animado. Nada mesmo...

Num destes fins-de-semana, escrevi um texto curtíssimo (nem se lhe pode chamar conto), que é uma ficção de um encontro com o A. (qualquer dia, mando-lho!). A vontade de escrever estava-me a arder os dedos, e uma das coisas que eu recrimino ao W é não me deixar disponibilidade nenhuma, nem física e muito menos psíquica, para escrever. Claro que isto não é assim tão simplista: mesmo quando eu escrevia, o meu sentido crítico (auto-crítico) era tão apurado que não me deixava ver qualquer interesse naquilo que escrevia. Aliás, essa foi uma das principais razões para eu desatar a gostar tanto de ler, nomeadamente poesia: tentar encontrar nas palavras dos outros o fulgor e o júbilo que as minhas me negavam. Por isso tenho quase a certeza de que se eu pudesse começar a escrever at large nada daí resultaria, porque ia sentir sempre um bloqueio enorme em ultrapassar a barreira exterior. Mas mata-me ao menos não tentar...

E agora, ala daqui para fora!