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Errands
rosas
innersmile
Voltei esta semana ao W no meio de uma stress wave. Como exclamava o Hugh Grant no Four Weddings and a Funeral: "bugger...bugger...bugger". Às vezes, sinto-me tão farto que não sei como ainda mantenho capacidade de auto-controlo e não desato a correr tudo à machadada!

O lj tem andado uma porcaria. Só é possível cá vir de manhã, quando os americanos estão a dormir; e tem sido impossível fazer isso do W, ou por falta de disponibilidade, ou por dificuldade no aceeso à rede. Mais "bugger...bugger".

Vou transcrever parte de um e-mail que enviei à M, que está de regresso a Smalltown, Wi, USA, e que tem a ver com os temas da entrada anterior aqui no lj; de as ideias resultaram com maior clareza no mail.

"Achei curioso tu teres-te lembrado do Fargo a propósito do crime no Brasil. Eu lembrei-me do Reservoir Dogs. Francamente não consigo bem perceber o que significa isto de tentarmos perceber a realidade através do recurso ao cinema (bem, uma coisa desde logo significa: se o cinema, e a ficção em geral, são modos de nós representarmos formas mais ou menos possíveis do real, este caso ultrapassa em muito essa capacidade figurativa e representativa da ficção; tanto paleio para dizer que às vezes a realidade é mais estranha qe a ficção....), como se precisássemos (spelling) de mediar a relação com a realidade com o cinema. É engraçado, porque se, por um lado, me agrada a ideia de que sou tão cinéfilo que sou capaz de ir buscar logo uma citação fílmica para ajudar a perceber os acontecimenmtos, por outro não deixo de pensar se não serei assim uma espécie de movie nerd que não pode percebe a vida
sem ser recorrendo aos filmes...

Seja como for, tens razão: esta história tem qualquer coisa de Fargo, como tem do Reservoir Dogs. A história claro que é horrenda, mas eu confesso-te um estranho fascinio por estes momentos de rutura, em que o "pobre Homem" parece ficar absolutamente a sós com os lados mais negros e turvos da sua natureza, quando age completamente descomprometido de
racionalismos, religiões, valores éticos, normas de funcionamento social, etc. Parece que nestas alturas estamos a contemplar a ferida aberta (sempre que uso esta expressão lembro-me do D. Cronenberg e dos seus filmes... aí está outra vez o movie nerd!) da nossa alma, ou, como lhes chama o nobel Saramago, os abismos da alma.

Movie report: logo no fds em que te foste, fui ver, com o G claro, o Cats and Dogs. Não sendo completamente mau, era um bocado seca (dormitei na primeira parte, se bem que eu passar pelas brasas no cinema não significa rigorosamente nada acerca da qualidade dos filmes). Fui tb ver o Diáro da Bridget Jones, um daqueles casos raros em que gostei mais do filme do que do livro, e essa mais-valia do filme deve-se, por inteiro, à genial Renée Zellweger, que faz um boneco brihante, verosimil, comovente e mega divertido."


'Inverno', da Adriana Calcanhotto, é a canção que me anda na cabeça. Estes versos, então...
Lá mesmo esqueci
que o destino
sempre me quis só
no deserto sem saudades, sem remorsos, só
sem amarras, barco embriagado ao mar
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