August 13th, 2001

rosas

Alguém Como Tu+Remédio Santo

Bem, começa a ser um padrão o melhor do fds serem as manhãs de piscina. Hoje nadei 1500 mts, em duas sessões: uma de 1000 sózinho e depois 500 com companhia. Dois anjos à solta na bancada, daqueles que nos fazem go weak in the knees...
Ontem (quer dizer, no Sábado) depois do almoço fui ter com a M. a S. João da Madeira (100 km de auto-estrada, às duas da tarde, sob um calor abrasador, num carro sem ar condicionado, tentando respeitar o limite informal de velocidade, ou seja, os 140, porque foi há um ano que, em circunstâncias muito idênticas, eu fui vítima de uma multa muitíssimo bem pregada) e ala! pró Arrábida Shopping ver filmes. É engraçado que sendo ambos movie buffs da pior espécie, normalmente não conseguimos ver juntos filmes de geito. Mais uma vez confirmou-se isso: vimos Alguém Como Tu, uma comédia romântica (começa a ser de desconfiar este género da comédia romântica, que últimamente só resulta em pastelões) onde se safa a Ashley Judd e um certo humor à sit com, e Remédio Santo, que, como disse a M., é uma espécie de Quentin Tarantino que não resultou. O filme tem clima, tem um ar indie, mas efectivamente falta-lhe rasgo (e sobra-lhe a Liz Hurley, que passa a vida a fazer dela própria e a mostrar que não consegue representar).
Food for thought(!): Hagen Dazs, pipocas doces, coke, francesinha. Depois queixo-me...
Depois de sairmos do cinema sugeri irmos ao Furadouro. Uma imensidão de gente, mas não vi quem que eu queria ver. Será que, tal como da outra vez, ele me viu a mim?
Hoje, que eu contava passar uma tarde calminha na minha casa entregue às minhas coisinhas, telefonou a Cristy a dizer que vinha cá com uma amiga e se podiamos passar a tarde juntos. ok!
Comprei o CD dos Clã. Ainda só ouvi uma vez, mas parece-me ser interessante. A produção do Mário Barreiros e do Carlos Tê não deve ser alheia a isso. De qualquer forma, precisa de mais audições, com mais atenção.
Hoje tinha um mail do A, com poemas do EA. Respondi politely, mas sem grandes efusividades! Ele supostamente deveria ter ido hoje para fora de Lx. E eu já decidi que não vou a Lx na próxima semana. a) não me apetece encontrá-lo; b) não me apetece ir apanhar calor para Lx; c) a poupança dá-me geito (esta última não vale muito, porque decidi substituir a ida a Lx com uma surtida à Habitat e Fnac do norteshopping)
rosas

Lj

Li um dia destes numa entrada do arquivo do diário do Macaco (que tenho andado a ler meticulosamente; o diário dele tem, em relação ao da Dee, a vantagem de não ser tão perfeito, tão consistente, e por isso mais fácil de acompanhar; a prova de que, muitas vezes, o óptimo é inimigo do bom, e de que a perfeição envolve muito sacrifício e esforço), que ele mantém dois diários: um privado, escrito mecanicamente, e o que está on-line, que é público; e de que havia coisas que só cabiam no diário privado.
Precisamente para evitar este tipo de dilema é que decidi não contar a ninguém dos meus conhecimentos da existência deste diário. Essa a única forma de garantir que ele continua a ser um espaço de liberdade, como já era antes de eu ter descoberto este site para o por ao léu. Claro que, mesmo num diário privadíssimo, somos sempre condicionados pela mera hipótese de alguém, algum dia, ler o que escrevemos, e isso provoca sempre uma espécie de auto-altero-censura.
A literatura é do domínio das coisas públicas, ou seja, pressupõe sempre um interlocutor que seja outro em relação ao seu autor. Aí se situam muitos dos diários escritos por personalidades públicas, escritores ou políticos, cuja natureza confessional é sempre um disfarce para garantir maior eficiência na forma como o discurso, ou melhor, a mensagem, atinge o outro.
Mas qualquer acto de escrita, mesmo o mais íntimo, o mais privado, o mais secreto, é sempre uma forma de negar a morte, de aspirar a uma qualquer forma de imortalidade, que só se atinge através dos outros. Por isso, quando escrevemos, fazemo-lo, ainda que de uma forma muito mediatizada, sempre para um outro, sempre na suposição de que vai haver um leitor.
So what? Só para dizer que este diário, que já era condicionado (ou mesmo justificado, de acordo com o que foi dito) pela mera hipótese de alguém o ler, tornou-se, nesta versão exposta, menos aberto (no sentido em que falamos de uma ferida aberta), mais condicionado. E, de alguma forma, menos sincero