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Lj
rosas
innersmile
A principal razão para manter um diário foi responder a uma necessidade de registo, não deixando que certas coisas se percam no tempo like teardrops in the rain (sim, os andróides sonham com carneiros eléctricos). Por um lado, ele nunca obedeceu a um puro impulso confessional, de desabafo, à laia de jornal íntimo oitocentista, ainda que, por vezes, a necessidade de registo existisse porque não conseguia registar certas coisas em qualquer outro lado. Também nunca pretendi manter laundry lists do meu quotidiano burocrático, não só porque não sinto essa necessidade, mas também pela aguda certeza de que a minha monotonia não merece ser registada!
É verdade que, naturalmente, muitas vezes senti a necessidade de usar estas páginas como uma espécie de confessionário ou divã de psicanalista. Mas, nessas ocasiões, basta a gente sentar-se um bocadinho (de preferência passando pelas brasas) que a vontade passa.
Então e a que propósito vem isto? É que ontem senti uma vontade enorme de vir aqui contar o que pensava depois do telefonema do A, no Domingo à noite. Pensando melhor, se calhar essa é mesmo uma das coisas em que eu confio no tempo para as fazer perder como lágrimas na chuva. Se bem que, agora que estão registadas..

Jorge Amado
rosas
innersmile
Morreu o Jorge Amado.
Para a geração anterior à minha, foi o grande ficcionista de língua portuguesa. Para a minha, constituiu uma das leituras obrigatórias da adolescência. Ainda hoje ocupa um espaço significativo nas minhas estantes, graças aos livros que "herdei" e àqueles que fui juntando à série.
Capitães da Areia foi um dos primeiros livros que li, numa altura em que era mais novo do que Pedro Bala e, na minha ingenuidade pequeno-burguesa, sonhava fazer parte do seu grupo. Só anos mais tarde, descobri que o que eu verdadeiramente ansiava era dormir à noite na praia.

Cortesia do B.Spade, tive hoje o primeiro comentário posted aqui