miguel (innersmile) wrote,
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american splendor

Como numa cena em que Harvey se despe casualmente em frente ao espelho, olha para a sua imagem reflctida e comenta, já em banda desenhada: ‘It’s a reliable disappointment’.
Apetece ficar durante horas e horas a falar de American Splendor, o filme de Shari Sringer Berman e Robert Pulcini sobre Harvey Pekar. O filme é assim estimulante, de um modo criativo. Mas também é difícil, ainda a quente, analisar o filme. A verdade é que estive durante mais de hora e meia verdadeiramente 'pregado' ao ecrã, e neste momento a ideia que tenho do filme é assim uma espécie de 'bliss' mental, como se me tivesse estado durante muito tempo a fazer festinhas ao cérebro.
Se é verdade que parte significativa do interesse do filme vem da personagem (tratemo-la como tal ) de Harvey, a verdade é que parte não menos significativa vem de Paul Giamatti, que interpreta Harvey, e sobretudo do próprio filme, da forma como ele está narrativamente estruturado, do argumento que destila humos por todos os lados, mas um humor subtil (bom, por vezes não tão subtil assim), ácido.
O filme fez-me lembrar o Man on The Moon, do Milos Forman. Pelas coisas mais óbvias, claro: o humor, a bio-pic, o Paul Giamatti, a impressão de que as personagens são sempre uma espécie de aliens maiores do que a vida. Mas também porque, tal como Man On The Moon, também American Splendor é atravessado por uma tristeza imensa e sempre à beira do insuportável; aliás, não fosse a comédia, e estes filmes seriam impossíveis de visionar, tal a dimensão trágica do olhar.
Tags: cinema
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