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54º à sombra

Chegou há pouco no correio uma encomenda com 54º À SOMBRA, a colectânea de Verão organizada pelo pessoal da Janela Indiscreta. Como sempre, o bom gosto é cem por cento irrepreensível, as revelações são surpreendentes (e, apesar das aparências, não é forçoso que o sejam sempre). Tudo bate certo, nestas compilações da Janela: a escolha dos temas, a sequência, a capa, o lettering.
Eu sei que eles não merecem tanto castigo, mas à laia de agradecimento aqui vai uma sonetada cometida na onda de calor anterior, e que foi agora repescada só para maltratar quem nos quer bem.

Chega a aurora. A cidade estremunhada
Desperta para o dia com vontade
Planeia e marca horários, apostada
Em dar ao dia alguma utilidade.

Sai p'rá rua, admirada com a ausência
De intermináveis filas de automóveis.
É lenta dos transeuntes a cadência.
Está cerrada a maioria dos imóveis.

É Verão. Está aqui longo o Agosto.
E desde que o sol nasce até que é posto,
A cidade esbaforida, afogueada,
Tez queimada, testa ardente, inchado pé,

Procura em desespero uma esplanada
Onde, tranquila, tome um capilé.
Tags: poemas
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