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bruno ganz, patricia nell warren
rosas
innersmile
Chegou por estes dias a notícia da morte do actor Bruno Ganz. O actor alemão tornou-se conhecido sobretudo pela sua interpretação de Adolf Hitler no filme A Queda, do qual várias cenas se tornaram memes na internet.

Mas eu tenho a sorte de conhecer o seu trabalho já desde os anos 70, quando ele fez, com Wim Wenders, O Amigo Americano, uma adaptação muito livre de um livro que, anos depois, se tornaria num dos meus livros preferidos, O Talentoso Mr. Ripley, da Patricia Highsmith. Aliás, comprei a minha edição do livro em Londres, em 1984, precisamente por causa do filme de Wenders.

Mas de todos os papéis que o vi fazer (ainda recentemente vi dois filmes com ele, O Leitor e O Complexo de Bader-Meinhof), aquele que ficou e sempre ficará comigo foi o de Damiel, um dos anjos de As Asas do Desejo, novamente dirigido por Wim Wenders, papel que retomaria na sequela So Faraway, So Close.

Der Himmel über Berlin, o belíssimo título original de As Asas do Desejo, é um dos meus filmes favoritos, que revejo frequentemente, e muito por causa do trabalho de Bruno Ganz, no papel de um anjo que sofre demasiado por causa do sofrimento humano, e que escolhe tornar-se num ser mortal por amor a uma trapezista de circo. Há sequências e diálogos do filme tão belos e tão tristes que sempre me dão vontade de chorar. Como esta do clip que ponho a seguir.



Foi através dos meus amigos da Index eBooks que soube a notícia de outra morte pessoalmente significativa, a da escritora norte-americana Patricia Nell Warren. Aliás, a Index deu-me o privilégio verdadeiramente sublime de ter livros meus editados pela mesma editora que publicou a única tradução em português do mais conhecido livro da escritora, The Front Runner, que na edição da Index levou o título O Corredor de Fundo (e que pode ser comprado aqui: http://www.indexebooks.com/o-corredor-de-fundo.html).

Li o livro em 2002, encomendado da Amazon, numa fase em que lia muita literatura gay, e talvez por isso a sua leitura não tenha sido um coup-de-foudre. Mas quando o reli, anos depois, a propósito da edição da Index, aprendi a respeitar mais aquela história, surpreendentemente inédita na altura em que foi publicada, meados dos anos 70, por apresentar um olhar francamente positivo de uma relação entre duas pessoas do mesmo sexo, para mais dois desportistas.

Talvez por isso, pelo olhar positivo e pela época em que foi publicado, o livro foi um enorme best-seller, estando semanas a fio nas listas dos mais vendidos. Lembro-me igualmente, na altura em que o li, de ter visto na net que ocupava o primeiro lugar nas listas de livros de temática gay preferidos pelos leitores.

Alguns anos depois, li a sequela Harlan's Race, que encontrei, numa edição em inglês, num livraria gay em Barcelona.