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innersmile

aperto libro, senhor sommer

Passei metade do mês de janeiro no hospital, e tanto nesse período como nos dias que se seguiram à alta, sentia-me tão fraco que não tinha sequer a capacidade de concentração necessária para a leitura. Ainda assim terminei o livro que já estava a ler antes de ser internado, e retomei a leitura, de forma muito lenta, com um livro que me emprestaram quando estava internado mas que só consegui começar a ler já em casa.



Ao longo dos últimos anos, à medida de um livro por ano, Eugénio Lisboa publicou cinco volumes das suas memórias, um livro de viagens, um volume póstumo das memórias dedicado in memoriam da sua sua mulher, e, agora, o primeiro volume dos seus diários.

Muitas das passagens dos diários tenham sido utilizadas nas memórias e por isso Lisboa publica agora o que dê certo modo “sobrou”. O período abarcado neste primeiro volume vai de 1977 a 1990, apesar de haver muitos intervalos em branco, mais ou menos extensos.

Para além das peripécias do dia a dia, em que EL não é muito prolixo, constituem matéria mais substancial destes diários as reflexões e impressões do autor acerca da arte em geral e da literatura em especial. Quer sobre as suas preferências quer sobre as suas embirrações e mesmo pequenos ódios. E quem conhece os livros de Lisboa sabe que ele não tem papas na língua nem se poupa nas críticas, sendo francamente, e por vezes um pouco injustamente, negativa a sua opinião sobre o estado da arte da literatura portuguesa, e ainda pior no que respeita ao millieu literário nacional.



Como disse acima, fui retomando o gosto pela leitura com um livrinho muito breve, A História do Senhor Sommer, da autoria de Patrick Suskind, que além de ter poucas páginas, muitas delas são ocupadas com fantásticas ilustrações de Sempé. É uma narrativa muito simples,quase juvenil, que constitui uma memória de infância, desconheço se com alguma correspondência na realidade ou se absolutamente ficcionada.

Trata-se de uma obra ternurenta e bem-humorada, mas onde o humor não esconde a tristeza e o drama da vida, os seus mistérios e as suas inevitabilidades. Inspirado e inspirador.
Tags: eugenio lisboa, livros, patrick suskind
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