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back in business
rosas
innersmile
Na sexta-feira fui ao serviço de manhã, e desde ontem que estou de novo a trabalhar. Entre março e junho trabalhei apenas 27 dias, e desde 15 de junho que não vinha sequer ao meu local de trabalho.

É muito estranho estar de volta. Não é apenas o tempo prolongado da ausência. É também o completo afastamento dos problemas, das pessoas, da cultura institucional. Durante todo este tempo estive exclusivamente concentrado na minha saúde, apenas focado no esforço de resistir, quer do ponto de vista físico quer em termos emocionais. O resultado é assim uma espécie de distância mental que dificulta o meu envolvimento nas questões do trabalho e a minha disponibilidade para os outros.

Mas é pior. Durante esta ausência o meu corpo foi seriamente mal tratado, e o meu cérebro também. Fiz grandes cirurgias, muito prolongadas, com anestesias muito pesadas. Foram cirurgias muito complicadas, com grandes perdas de sangue. Além disso fiz muitos tratamentos com antibióticos por causa de uma série (foram seis episódios) de infecções, algumas antes de fazer a nefrectomia, e outras mais recentes, na sequência da cistectomia. Quase todos esses antibióticos eram muito fortes e agressivos. Além disso ainda não me habituei completamente à urostomia, nem, principalmente, à ideia de que os acidentes acontecem e tem de se lidar com eles com alguma tranquilidade.

Ou seja, a minha capacidade de resistência física está muito diminuída, sinto algumas dificuldades de concentração e de memória. Ontem experimentei dificuldades em navegar no programa de correio electrónico, e hoje tive de pedir ajuda para gravar um documento em word porque, sob pressão do tempo e das solicitações externas, não consegui acertar nos comandos adequados.

Como diria a minha sobrinha-neta, isto não é fácil. Sinto-me assim um bocadinho a pairar, e não num bom sentido. Tenho receio de não recuperar o equilíbrio emocional e tenho ainda muitas inseguranças em relação à minha saúde, nomeadamente que as coisas tornem a descambar.

Mas hoje voltei a almoçar no refeitório, como fazia habitualmente, e, às tantas, dei por mim a pensar que este último ano, sobretudo os últimos seis meses, é como se não tivessem existido.

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aos poucos vais regressando e às tantas dás por ti na rotina.


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