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aprender a cair
rosas
innersmile
Ontem uma amiga enviou-me por mensagem o link para o clip de uma canção recente da Márcia, que se intitula Tempestade. Gosto muito da Márcia, até já assisti a um concerto dela, apesar de não ser um ouvinte frequente da sua música. Mas acho que ela tem algumas características que me agradam bastante. Gosto de um tom sempre um pouco cool que ela imprime às canções e à sua maneira de cantar, gosto das letras das canções, que são sempre sérias e reflexivas, gosto da simplicidade do resultado dos seus trabalhos.

Na mensagem que escreveu a acompanhar o link, e pegando nas palavras da canção, a minha amiga diz que se arrepiou quando a ouviu porque se lembrou logo dos “azares” que tem tido, e também dos meus. De facto, esta minha amiga tem passado por tempos extremamente difíceis, que têm a ver com a sua condição de Mãe, e porque não há maior aflição nem maior angústia do que a de uma Mãe que tem um filho com graves problemas de saúde.

Comoveu-me muito que ela tenha partilhado comigo a canção da Márcia, e que tenha arranjado, no meio do seu próprio sofrimento, espaço e disponibilidade para pensar em mim e nos meus “azares”. A canção, como seria inevitável, agarrou-me à primeira, por várias razões, uma das principais, claro, por causa da letra, que fala da necessidade que temos de aprender a passar por maus momentos, de aprender a atravessar a tempestade.

É evidente que estas palavras da canção da Márcia me dizem muito, para mais cantadas no seu tom suave e descomprimido. Fica-me nos ouvidos e na mente, quase como um mantra, esta frase melódica do refrão: “e aprender a cair”. Acho que já aprendi há muitos anos a resistir, a aguentar-me de pé. Se calhar neste momento estou mesmo a aprender a cair.



Espera sempre dos momentos
Alguma coisa que ao passar
te leve mais além
A mais algum conhecimento
Mas não queiras salvamento
se faltar a alguém

Dança o teu azar
enterra-o por aí
Vem passar por dentro
da tempestade
Lança-te a voar
nada como abrir
as asas ao vento
e aprender a cair

Convence o próprio pensamento
a abrir as portas para passar
sem vetar ninguém
Cada Ser seu sentimento
e talvez o salvamento
nos salve a nós também

Dança o teu azar
enterra-o por aí
Vem passar por dentro
da tempestade
Lança-te a voar
nada como abrir
as asas ao vento
e aprender a cair