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A segunda aventura de um novo herói criado por Arturo Pérez-Reverte, Lorenzo Falcó, um esbirro ao serviço das polícias secretas nacionalistas no tempo da guerra civil espanhola. Como o próprio autor definiu, Falcó é um verdadeiro f-d-p, mas tem um charme aventureiro que o torna irresistível.

Se o primeiro livro da série terminava em Portugal, este segundo começa com uma sequência alucinante nas ruas de Lisboa. Depois a acção muda-se para Tânger, e, pelo menos na minha opinião, vai perdendo algum fôlego narrativo.

Por outro lado, se Falcó e Eva se tornam um pouco estereótipos, o pistoleiro Paquito Arana é delicioso e uma nova personagem, Moira Nikolaos é mais uma belíssima personagem bem ao estilo das criadas pelo autor.

Além disso, a escrita de Perez-Reverte é sempre deliciosa e os pormenores de caracterização de ambientes, épocas e personagens têm a qualidade e o rigor habituais no autor.



Este segundo número da Granta em Língua Portuguesa ainda não me conseguiu convencer inteiramente das vantagens de reunir autores dos vários países lusófonos, tanto mais que apenas publica textos de autores brasileiros e portugueses, deixando de fora as riquíssimas literaturas africanas em língua portuguesa.

Entre os textos originais em português, gostei muito do da brasileira Vanessa Bárbara, e também dos da portuguesa Ana Cristina Leonardo e do veterano contista brasileiro Sérgio Sant'Anna. Com exceção do conto de Isabel Rio-Novo, que me fez recordar o tom um pouco gótico dos textos de Teresa Veiga, os restantes textos originais em língua portuguesa deixaram-me mais ou menos indiferente.

Como acontece habitualmente os meus textos preferidos são os traduzidos da edição original da Granta. Adorei o de Claire Messud, que me comoveu imenso, e também gostei bastante dos da canadiana Susana Ferreira, sobre o crescimento das religiões evangélicas no Haiti e a forma como têm contribuído para o desaparecimento da tradicional religião vudu, e da reportagem sobre O Prisioneiro da guerra santa, da autoria de Wendell Steavenson.

Este volume traz ainda dois ensaios fotográficos, que não me entusiasmaram por aí além, excelentes ilustrações de André da Loba, e uma capa fabulosa de André Carrilho, como de resto é habitual deste autor.