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tatul
rosas
innersmile
Uma destas noites estava a dar uma voltinha pelo facebook antes de me ir deitar, e dou com este clip no meu mural, publicado por uma das pessoas que eu sigo na rede social, ela própria uma artista que já tive oportunidade de assistir a um concerto que deu cá em Coimbra.



Fiquei de imediato encantado e fascinado pela música e pelo seu intérprete, pelo som do instrumento. Evocou-me o canto do muezin, ouvido nas ruas sinuosas do souk de Marraquexe ou nas margens tranquilas e misteriosas do Nilo. Evocou-me a cidade velha de Damasco ou a estrada que atravessa o deserto na Síria, quando chegamos a Palmira. Ou o céu profundo da noite num acampamento no Wadi Rum.

Um sentimento ao mesmo tempo de paz e exaltação, de uma solidão triste e tranquila, mas ao mesmo tempo de intensa comunhão com os meus irmãos humanos. A certeza aguda de que a minha vida é forte como tudo o que é humano e frágil como todo o transcendente, ou vice versa.

Encontrei outros clips no YouTube e apurei muito pouco, apenas que o miúdo se chama Tatul Hambardzumyan, terá sete anos de idade, à volta disso, e é considerado um menino prodígio a tocar o duduk, um instrumento de sopro tradicional da Arménia.

Mas nenhum dos outros clips que ouvi na net se igualam a este. É a música, sem dúvida, que nos chama a atenção para a leveza espessa do ar. É o sortilégio do som do instrumento, que parece apelar ao que trazemos dentro de nós. Mas é também o admirável contraste entre a fragilidade vertical de uma criança a tocar de olhos fechados, e todo o poder do mundo contido na música que ele executa.
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