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mapplethorpe
rosas
innersmile
Apesar de eu não poder, por razões que têm a ver com o meu estado de saúde, ir ao Porto ver a exposição retrospectiva que o Museu de Serralves dedicou a Robert Mapplethorpe, fiquei muito contente com esta oportunidade de as suas fotografias serem finalmente expostas num grande museu português. Contente e até um pouco excitado com o impacto que as suas obras teriam no público nacional que consegue ser simultaneamente conservador, por vezes até retrógrado, mas também aberto e tolerante.

Mapplethorpe é, na prateleira dos meus ídolos e heróis, uma das maiores referências. Nos anos 80, sobretudo depois que comecei a ir frequentemente a Londres, conheci o seu trabalho, e tudo me fascinou: o arrojo e a provocação, a falta de reserva que o fazia muitas vezes expor-se a si próprio em fotos íntimas e inquietantes, a representação da homossexualidade, a beleza rigorosa do preto e branco das suas fotografias, e até a sua biografia, a história da sua vida e particularmente a história da sua morte, vítima da SIDA quando esta era uma verdadeira calamidade, com um impacto impensável na comunidade gay.

Claro que eu já conhecia a Patti Smith desde os anos 70, quando era considerada uma das deusas do punk rock, e as fotos dos discos de Smith foram provavelmente as primeiras fotos de Mapplethorpe que eu vi na vida. Mas foi só depois de conhecer a estreita e poderosa ligação que havia entre os dois, que me dediquei de alma e coração à música da Patti Smith.

Como disse, fiquei contente com o facto de o público português se poder confrontar finalmente com as fotografias de um dos meus artistas preferidos. Antecipava algumas reações mais virulentas por parte dos mais ou menos habituais defensores da moral e dos bons costumes, e nomeadamente daqueles que vêm qualquer representação da homossexualidade como uma ameaça à moral burguesa.

Mas nunca me passou pela cabeça que pudessem ser o próprio museu e o curador da exposição a criarem uma trapalhada tão grande e tão infeliz acerca da exposição e de eventuais actos censórios, naquilo que me pareceu ser mais uma guerra de egos do que outra coisa. Somos sempre tão eficientes a ser medíocres que conseguimos transformar a exposição de Robert Mapplethorpe num escândalo maior do que as suas próprias fotografias.

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I have an art book on Mapplethorpe's pictures. Love to see the prints in an art gallery though.

I only Saw a few prints of his photos, most of his work I know from art books. And I am so sorry I can't visit this exibition in Porto.

And btw thanks for the add :)


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