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felice di stare lassú
rosas
innersmile
No passado domingo de manhã, regressava a casa a ouvir no rádio do carro o programa A Cena do Ódio, na Antena 1, cuja emissão era dedicada à cor azul.

Às tantas começa a ouvir-se o Domenico Modugno a cantar a famosa intro à ainda mais famosa canção Nel Blu Dipinto, que, creio eu, é mais conhecida por Volare, do refrão, e que deve ser das canções mais populares e com mais versões da música italiana.

«Penso que un sogno cosi non ritorní mai piú
Mi dipingevo le mani e la faccia di blu
Poi d’improvviso venivo dal vento rapito
E incominciavo a volare nel cielo infinito»

Veio-me logo à ideia o meu pai. Foi dele que ouvi pela primeira vez esta canção, aprendi-a com ele. Era uma das canções preferidas do meu pai. Ouvi-lo dizer estas frases do início da canção é das recordações mais vivas e intensas da minha vida.

Claro que o meu pai não sabia italiano e ‘aldrabava’ a maior parte das palavras. Cantava o primeiro verso, terminava com o ‘volare nel cielo infinito’, mas o resto era a fazer de conta, a seguir o som das palavras, a tentar imitar o sotaque. Mas mesmo essa aldrabice fazia parte da brincadeira, era um dos seus números para me divertir, mas penso que sobretudo se divertia a si mesmo. Uma das ocasiões, não muito frequentes, em que o meu pai, habitualmente sempre triste ou pelo menos tristonho, soltava o sentido de humor.

Ao ouvir a canção e ao lembrar-me do meu pai, pensei que gostaria de confirmar com o meu irmão se ele se lembrava desta rábula do meu pai, se também era capaz de, vividamente, o ouvir a cantar o Nel Blu Dipinto De Blu.

Numa manhã de um domingo passado quase sempre sozinho, num estado de espírito feito de melancolia e (muita) angústia, não foi muito bom confrontar-me, mais uma vez, com a ideia de que a ausência dos meus pais e do meu irmão, acentua o sentimento de profunda solidão com que vivo estes dias.


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You are not alone. I am here with you. Though we're far apart you're always in my heart. You are not alone...

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