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a intocada curiosidade
rosas
innersmile
As primeiras recordações de infância, as mais remotas e vagas, aquelas que subsistem na memória quase como excertos fragmentados de mensagens que nos chegam de galáxias longínquas. O wagon lit de um comboio nocturno, nós de pijama, eu a brincar no chão com um brinquedo novo.

Sempre admirei o teu génio inventor, que me fascinava e deslumbrava na infância. Os livros sobre as grandes génios da ciência, sobre Thomas Edison ou Madame Curie, que foram algumas das minhas primeiras leituras, eram teus. Os teus brinquedos científicos. O Meccano com as suas placas perfuradas e os parafusos e as porcas, ou a tábua onde criavas ligações eléctricas, lâmpadas que acendiam, campainhas que tocavam, pequenos motores que faziam girar hélices. Ou as enormes pistas de carros de corrida scalextric que montavas no quartinho do quintal

Muitas vezes discutiámos sobre qual dos dois era o mais inteligente, e éramos sempre generosos nas nossas opiniões. A minha inteligência sempre foi um pouco mentirosa, resultava da muita informação que eu fui respigando na minha condição de leitor compulsivo. Mas sempre me fascinou a tua inteligência pura, a tua intocada curiosidade em conhecer as leis que estabelecem o modo de funcionamento de mundo.

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