Previous Entry Share Next Entry
a shadow of the man I used to be
rosas
innersmile
Nos últimos quatro ou cinco meses devo ter passado, por junto e de maneira fragmentada, um mês em casa. O resto do tempo passei-o em hospitais, a fazer tratamentos prolongados com antibióticos muito potentes, culminando com uma intervenção cirúrgica tecnicamente complicada, nas últimas duas semanas. E o percurso não vai ficar por aqui.

Esta semana, apanhou-me na cama do hospital a notícia da morte do meu irmão, a milhares e milhares de quilómetros de distância, e que me deixou vazio, mas também perturbado com os efeitos cruelmente complexos que uma notícia devastadora tem quando nos debatemos, num esforço de gestão de recursos escassíssimos, com a nossa própria auto sobrevivência.

Tenho a impressão de que sou, eu próprio e também esse outro que aqui se vai escrevendo, apenas a memória, a sombra, de quem fui até há sete ou doze meses atrás. E sinto, além disso, uma estranha distância de todos aqueles que nem suspeitam de que há de facto um inferno pessoal. Um inferno mesmo, a sério, longe daquela estreita nesga através da qual espreitamos angustiados o espelho do mundo.

E no entanto confio ainda, quem sabe de maneira inconsciente ou alienada, na expectante alegria dos recomeços.

  • 1
:( devastada e sem palavras. Bjs.

Recomeçarás!

Continua a confiar :)
Abraço apertado.

Eu sinto muito por tudo. Um beijinho.

Oh Miguel... :( Às vezes esqueço-me que aqui posso saber de ti e é só por isso que aqui venho.
Lamento tanto querido Miguel, por tudo, pelo teu irmão, por te saber tanto tempo doente, pela cirurgia, pela distância. Abraço forte. *

um abraço, Carla, obrigado

  • 1
?

Log in

No account? Create an account