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rosas
innersmile
Para além do livro de memórias de Pedro Rolo Duarte de que já falei aqui anteriormente, aproveito para deixar registo de todos os outros livros que li durante o período em que estive ausente. Grande parte deles li-os em formato electrónico, pois coincidiu com os períodos de internamento hospitalar, e por uma questão de comodidade levei o kindle para o hospital. A propósito, o facebook lembrou-me hoje uma fotografia que lá pus há 6 anos, precisamente no dia que recebi a encomenda com o leitor electrónico. Têm sido 6 anos de bons e leais serviços, e o kindle merecia por isso uma condecoração: a leitura torna-se mais cómoda, mais flexível, mais rápida. O kindle permitiu-me ler livros que na versão impressa dificilmente leria, quer pela sua extensão quer pelo tamanho da letra.


Já tinha esta edição completa das Talking Heads, do Alan Bennett, há muitos anos, mas só agora li este conjunto de monólogos escritos para televisão. Gosto muito deste autor, tem uma maneira única de falar sobre as pessoas, apanhando-lhes o lado mais frágil mas também o mais risível. Com um humor subtil mas muito afiado e implacável, Bennett fala de pessoas que, por várias razões, são ou estão pouco apetrechadas para a vida que hoje se vive. Para além deste profundo sentido da humanidade, Bennett capta como ninguém os tiques e as misérias que habitualmente identificamos como características dos ingleses.


Burgueses Somos Nós Todos é uma antologia de contos da autoria de Mário de Carvalho. O autor é um dos grandes mestres da literatura que se faz em língua portuguesa, que ele domina com classe e com estilo inimitáveis. MdC é, seguramente, um dos grandes prosadores da actual literatura em língua portuguesa, e em Portugal é talvez o meu favorito. Neste conjunto de contos, o autor faz o retrato, bem irónico, da actual burguesia urbana portuguesa, em especial a lisboeta, e não há maneira de, de uma maneira ou de outra, não nos revermos enquanto colectivo nesta descrição.


The Heart’s Invisible Furies, de John Boyne, foi uma gentil oferta, em formato electrónico, do meu amigo e editor João Máximo. Trata-se de uma obra de grande fôlego, escrita por um autor bastante popular (sobretudo por causa de uma outra obra sua, O Rapaz do Pijama às Riscas, que foi best-seller e deu direito a um filme), e que é um fresco, com o seu quê de épico, sobre uma vida passada na República da Irlanda, sob a forte e altamente repressiva autoridade da igreja católica, desde os anos do pós-guerra (a história inicia-se em 1945, com o nascimento do protagonista) até à actualidade.


As histórias de Agualusa assentam sempre em ideias brilhantes e originais, em personagens de mistério e fascínio, numa escrita leve e com o seu quê de sensual, e num fundo de preocupação política e social. Este Vendedor de Passados é mais um prodigioso exemplo da estatura de Agualusa enquanto escritor e contador de histórias.


Ways of Escape foi o primeiro livro de não ficção que li da autoria de Graham Greene, um dos meus escritores favoritos. Na realidade, trata-se de uma autobiografia, mas com um caráter muito singular: em vez de relatar a sua vida, ou pedaços dela, Greene percorre a sua obra, livro a livro, evocando as circunstâncias da sua vida em que os livros nasceram (enquanto ideias literárias) e foram escritos. Pelo meio há alguns relatos mais demorados e minuciosos, nomeadamente aqueles respeitam a circunstâncias fora de vulgar, como foram as suas passagens por África, pelo Sudeste Asiático, ou pelo Caribe.


Foi recentemente publicado o primeiro número da nova edição da Granta em Língua Portuguesa, que veio substituir a anterior Granta Portugal, bem como a Granta em Português, que se publicava no Brasil. Apesar da linhagem, a Granta deverá publicar textos de outros autores de países lusófonos. Neste primeiro número, isso acontece com o angolano José Eduardo Agualusa, mas este caso não conta, pois o autor já tinha aparecido noutras edições da versão nacional da revista. No geral gostei deste primeiro número, mas, tal como já acontecia anteriormente, continuo a preferir os textos traduzidos da edição da revista em inglês: são textos mais amadurecidos, mais trabalhados, com outro calibre e alcance.


A Index, minha editora, publicou mais um volume, o sétimo, da série Todo Teu, da autoria de Nuno Oskar, desta vez dedicado ao aniversário de Nuno, um dos protagonistas. Parece-me que gostei mais deste volume do que dos anteriores, em especial porque desta vez a narrativa tem conflito, nomeadamente na primeira parte onde, em circunstâncias de certa turbulência, tem lugar o coming out de Nuno em relação aos seus familiares. Atenção, que quando falo em conflito não me estou a referir a situações em que as personagens desatem todas à batatada umas às outras, mas sim a peripécias que obrigam o leitor a experimentar sentimentos diversos e mesmo conflitantes, que o impeçam de aderir de forma mais ou menos imediata a um dos personagens, mas que o obriguem a reflectir, a ponderar e por fim, eventualmente, a tomar partido, não tanto por um dos lados, mas mais por uma determinada atitude ou maneira de estar. O conflito não é o da narrativa, mas antes aquele que o leitor experimenta ao reagir emocionalmente àquilo que lhe é contado.


Finalmente, li Nights at Rizzoli, uma brilhante autobiografia da autoria de Felice Picano, um dos nomes máximos da literatura gay (foi um dos fundadores do famoso Velvet Quilt, juntamente com, entre outros, o Edmund White). Não foi a primeira obra que eu li do autor, já tinha lido anteriormente o seu mais famoso Like People in History, e ainda The New York Years: Stories, e um volume autobiográfico, Ambidextrous, apontado à infância do escritor. Ler Felice Picano é, naturalmente, o prazer da leitura de um grande escritor, mas é igualmente a possibilidade de assistir a momentos determinantes da vida dos homossexuais na segunda metade do século XX pelos olhos e pela pena de um dos seus grandes protagonistas. Neste Nights at Rizzoli o ponto de partida da narrativa são os anos em que Picano trabalhou numa das mais famosas livrarias de Manhattan, no horário noturno. Desse modo, ganhava os dias livres para poder dedicar-se à escrita (na altura ainda não tinha qualquer livro publicado), e sobravam-lhe as madrugadas para se poder perder na descoberta hedonista da grande liberdade sexual que os homossexuais nova-iorquinos conheceram no decurso da década de 70 do século passado.

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Tantos!
gosto muito do meu kobo, tb, :)
tenho uns 2 livros em atraso do desafio, muito por causa do calhamaço que é o extraordinário "A Piada Infinita", do DFW. mas, por que o arranjei via aquele site, ou seja, é martelado, é muito pesado e de vez em quando crasha-me o kobo. e abrir e não abrir no comboio, lá se vai metade do tempo da viagem. de modo que, agora, estou a dar-lhe descanso e voltei ao papel.

boas leituras!

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