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não respire
rosas
innersmile


Na sexta-feira à tarde saí de casa pela primeira vez desde que tive alta do hospital. Como ainda me sentia inseguro, fui com os meus primos à livraria beber um café. Claro que aproveitei e comprei um livro, o volume de memórias Não Respire, da autoria de Pedro Rolo Duarte, publicado poucos meses depois da morte do jornalista.

Cheguei a casa e, pondo em pausa o livro que estava a ler, comecei a lê-lo. Parei quase cinquenta páginas depois, em grande parte delas com as lágrimas a assomarem-me aos olhos. Pensei que se calhar esta fase não seria a melhor, em termos anímicos, para ler um livro que evoca sentimentos de tristeza. Mas é evidente que não, possivelmente não poderia haver melhor altura para o ler, em que encontro nalgumas das suas páginas um inevitável sentimento de identificação.

Mas, é claro, o livro é mais, e já seria muito, do que o relato de uma pessoa que está a lutar contra uma doença oncológica. Organizando o texto em pequenos capítulos, PRD, em prosa simples e directa, mas sempre competente, vai evocando episódios da sua vida profissional, relembrando, esclarecendo, analisando, contando histórias de bastidores. Mas sempre com respeito, e até um certo pudor em entrar em esferas mais íntimas ou privadas.

Pelo caminho, recordamos alguns dos mais entusiásticos projectos mediáticos que se fizeram em Portugal. Mas PRD não se coíbe, igualmente, de falar nos seus projectos que não tiveram grande sucesso, ou foram mesmo fracassados.

No prefácio do livro, escrito em forma de carta dirigida ao filho de PRD, João Gobern refere que a leitura do livro fê-lo sentir, se não se desse o caso de se conhecerem há muitos anos, vontade de conversar com o jornalista. A honestidade, em relação a si próprio, que PRD usa a falar da sua carreira e dos projectos em que se envolveu, desperta em todos nós leitores essa vontade imensa de o conhecer ainda melhor, de o encontrar e conversar com ele durante muitas horas.

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