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and breathe normally
rosas
innersmile
Não quero ser pretensioso, citando as “famous last words” de Fernando Pessoa, mas a verdade é que I know not what tomorrow will bring. Claro, esta frase aplica-se a toda a gente, ninguém sabe o dia de amanhã, costuma dizer-se. Na verdade, ninguém sabe o que vai acontecer no momento seguinte ao presente.

Mas há circunstâncias nas quais, de facto, o futuro é uma grande incógnita, e não no melhor sentido, ou seja naquele em que antecipamos uma experiência aventurosa. Em que, ao invés, somos consumidos pela angústia de não sabermos se o túnel em que entrámos tem saída, em que, aflitos, tentamos divisar alguma luz que nos dê a esperança de que, sim, há uma luz ao fundo do túnel, haverá, esperamos, queremos acreditar, uma saída.

Desde o dia 18 de abril, com excepção de uma semana, tenho estado hospitalizado. Apanhei uma infecção com uma bactéria multirresistente, daquelas que não cedem aos antibióticos. Tem sido uma guerra. Neste momento, há a esperança de que esta situação esteja ultrapassada, mas só o futuro o dirá. Essa infecção tornou premente a questão do meu rim esquerdo, cuja função está excluída, ou seja, se ele que está a provocar estas infecções e se deverei fazer uma nefrectomia, para o tirar.

Depois subsiste o problema do carcinoma na bexiga. Muito provavelmente, poderá ter sido a primeira instilação de BCG que fiz, que desencadeou o processo inflamatório, e por isso é necessário avaliar a oportunidade de retomar estes tratamentos. Além disso, e como as características do tumor estão a evoluir, é preciso começar a ponderar a possibilidade de ter de recorrer a outras medidas mais radicais, nomeadamente de natureza cirúrgica.

Como creio que já referi, um dos males da doença, em particular quando é oncológica, é a forma como ela ocupa a nossa vida toda. Sobra-nos pouca vida, para além do tempo e da energia que somos obrigados a despender com a tarefa de nos mantermos vivos e minimamente “funcionais”. Todo o nosso esforço é dedicado à elementar tarefa de tentarmos conseguir manter a cabeça à tona da água e continuar a respirar.

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Foda-se, Miguel. Fodam-se lá a merda das bactérias multirresistentes. Foda-se lá o corpo quando teima em não se manter no seu melhor. Quero acreditar que a cabeça manda mais que o corpo, e que portanto esse teu cérebro magnífico vai dar ordens para se pôr tudo em ordem por aí abaixo. Mantém-te positivo e forte. E qualquer coisa, foda-se!

é isso mesmo, Bruno, tem sido muito foda-se. Forte não estou muito, mas tento manter-me positivo :)
abraço

Francisco

(Anonymous)
Deixo-te um grande e forte abraço de amizade e que recuperes rapidamente Pensamento positivo :)

muito obrigado Francisco, um abraço

Estou a torcer por ti

Não sei bem o que te hei-de dizer, Miguel. No entanto, e embora não o faça, tenho a certeza de que sabes bem tudo o que teria para te dizer...
Afinal, sempre digo alguma coisa, tirado a esse belo comentário do teu amigo Bruno.
FODA-SE!

Obrigado João, grande abraço

Esqueci-me de "apagar" o anonimato, algo que detesto...
Sou o João Roque (sempre contigo), mesmo quando estou longe como agora.

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