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ar de além
rosas
innersmile


Estou a ler um livro (maravilhoso, já agora), de Miguelanxo Prado, Ardalén, que é sobre a memória e as recordações. A páginas tantas, evoca-se a infância de um velho lobo do mar, que é uma das personagens principais. Foi uma criança solitária, que folheava o Atlas Universal, sonhando com mapas e viagens. O Atlas também foi um dos meus objectos preferidos na infância e na juventude, e ainda guardo dois ou três, desses tempos. Hoje, o meu fascínio pelos mapas resulta em horas e horas de passeios pelo Google Earth.

Ao virar uma das folhas do Atlas, a prancha de Miguelanxo fixa um mapa de Madagáscar e das Ilhas Comores, onde ainda se vê, a fugir já para a margem do papel, a costa africana, e distinguem-se claramente dois nomes: Mozambique, a Ilha de Moçambique, e Baie de Conducia, a baía da Condúcia, onde ficava a Praia das Chocas da minha infância. Lugares maiores da minha memória, e que revisitei em janeiro de 2003, quando regressei pela primeira vez a Moçambique.

Mas ainda mais, é também o lugar onde o meu irmão vive actualmente, onde ele está neste preciso momento. O lugar que ele escolheu para viver, e que eu poderia ter visitado, de novo, o ano passado, quando os meus sobrinhos lá foram, se não fosse a minha condição de saúde.

São também estas as qualidades da literatura: ajudar-nos a viajar pela nossa memória, e levar-nos aos lugares que a vida tornou inacessíveis.

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Que felizes regressos: às memórias tuas e aos textos teus!

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