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oscars e canções
rosas
innersmile
Longe vão os tempos em que eu metia um dia de férias na segunda-feira para poder ver em direto na TV a cerimónia de entrega dos Oscars. Agora, mal aguento ficar acordado depois das onze da noite, quanto mais… Mas deixei a gravar na box, e logo conto visionar a cerimónia com esse instrumento maravilhoso que é o botão de fast forward do comando.

Talvez por isso não me comoveram as premiações. Aliás, nem vi o grande vencedor, porque, francamente, achei que me faltava paciência para ver o filme. Tal como não vi o filme que deu ao Gary Oldman o oscar de melhor actor. Mas, por mim, qualquer prémio que se dê ao actor é bem atribuído, “for old times sake”. É que há coisas que a gente não esquece, e eu não me esqueço de, totalmente fascinado, ter descoberto o Gary Oldman a fazer de Joe Orton no filme Prick Up Your Ears, do Stephen Frears (um filme de 1987), e ainda sinto um arrepio quando me lembro do seu Dracula, no filme de Francis Coppola, de 1992.

Claro que o prémio de melhor interpretação feminina foi bem entregue à Frances McDormand. Pelo filme Three Billboard..., mas também por tudo o resto. Mas a minha paixão recente, foi a Annette Bening a fazer de Gloria Grahame, mas acho que ela nem sequer estava nomeada.


Não vi os oscars, mas vi o Festival da Canção e até votei e tudo. Só uma vez e na canção do Júlio Resende cantada por uma rapariga que no final dizia, em êxtase e muito afogueada, que tinha uma namorada. Não é todos os dias que vemos um statement tão alegre e excitado, para mais cantado com uma canção tão perfeita que só pode ter sido composta por um grande músico.

Mas ganhou outra canção, cantada por uma rapariga que entrou no último The Voice, e que tinha uma letra um bocadinho mórbida (ou então sou eu que li mal), mas tinha um som muito hipster. Eu gostei da canção, mas não achei grande ideia a autora da canção, que se chama Isaura que é um nome bonito e faz lembrar vagamente a kd lang (ponto a favor), passar o tempo quase todo sentada, de costas, com uma camisa que vista assim de repente parecia uma camisa de forças.

O que detestei no festival da canção é esta história do voto do público, que é facilmente manipulável, é permeável a todo o tipo de viés e distorções, e de facto só serve, única e exclusivamente, para dar dinheiro a ganhar às televisões. Aceitaria que o voto do público tivesse um peso relativo no resultado geral, mas fazer depender metade da pontuação do voto telefónico é quase ofensivo para o trabalho de todas as pessoas, na sua grande maioria profissionais da música e da canção, que aceitam integrar os diversos jurados. As duas canções, a da moça lesbiana e a da rapariga sáfica, terminaram com o mesmo número de pontos, tendo ganho a que teve mais tele-votos, quando, pelo resultado da votação dos júris regionais, teria ganho a outra com uma diferença pontual considerável. Acho estúpido. Aliás, todos sabemos que graças ao tele-voto, se as coisas tivesse corrido como planeado, tinha ganho um rapaz chamado Diogo Piçarra. Infelizmente, tratou-se de mais um caso de crianças raptadas pela IURD...

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