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um dia de cada vez
rosas
innersmile
Estava programado eu ser internado ontem para ser, hoje, submetido a nova intervenção cirúrgica. Alertado por uma amiga, liguei para o serviço do hospital e informaram-me de que a cirurgia tinha sido adiada. Suponho que se não tivesse tido a iniciativa de ligar, tinha-me apresentado ontem de manhã, em vão, apenas para perder tempo e testar os níveis de stress.

Mas só ontem à tarde, depois de já saber que a cirurgia tinha sido adiada, é que me bateu que faz hoje, dia 2, três anos que a minha Mãe morreu. Não é que seja supersticioso (só um bocadinho, mas é a outro nível), mas perturba-me um pouco essa possibilidade de poder ser operado num dia tão triste para mim, tal como me perturba não ter, logo quando me marcaram a intervenção, associado a data.

Acho que ao longo destes anos, tenho confirmado que a data do falecimento dos meus pais diz-me pouco. Fico angustiado se começo a rebobinar mentalmente os filmes desses dias, mas não são datas que fiquem marcadas a negro o meu espírito. Ao contrário, continuo, nos dias dos seus aniversários, a sentir uma grande alegria, uma vontade de comemorar, de dar a esses dias um carácter fora de comum.

Esta semana foi terrível, e a minha resistência emocional tem sido submetida a duras provas. Logo na segunda-feira fui a uma consulta num centro clínico privado e foi uma experiência difícil. Vim de lá com poucas respostas e com um cenário muito negro. Tenho esperança de que tenha havido na coisa uma certa inabilidade do médico que me atendeu. Safou-se o almoço, gostei muito de almoçar na cafetaria, tem um nível de serviço que eu não me importaria nada de ver replicado na instituição onde trabalho.

Depois meteram-se as confusões, que infelizmente já se vão tornando habituais, com a minha cirurgia, porque nunca tenho certo que vou ser operado pelo cirurgião certo, e há alterações de última hora, que também não são inéditas.

Quando um tipo se prepara para fazer uma cirurgia, e para mais esta que se apresenta mais complicada do que as anteriores, precisa de tranquilidade e confiança, e, infelizmente, o hospital e o serviço onde sou tratado não me dão nem uma nem outra. De qualquer forma, tenho aqui uns dias de intervalo para respirar fundo e tentar reganhar um certo equilíbrio.

Já devo ter escrito isto aqui, mas quando temos um problema de saúde com alguma seriedade e com uma frequência muito desgastante, aprendemos o verdadeiro significado do velho lugar comum de que “é preciso viver um dia de cada vez”. E hoje é dia de sentir e de viver essa espécie de presença que é a ausência da minha Mãe. Mas isso, claro, é hoje e nos outros dias todos.

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Miguel tem esperança, tu consegues vencer mais esta etapa. Pensamento positivo.
Um beijo enorme. Lídia

Um beijo grande Lídia. E muito obrigado pelo apoio, é bom nestas alturas não nos sentirmos sós.

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