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the florida project
rosas
innersmile
Sentimentos misto em relação a The Florida Project, o filme que Sean Baker escreveu e realizou e que toma como tema e motor narrativo a vida num motel de renda barata nas traseiras agradáveis de um parque de diversões da Disney.

O filme é de grande eficácia na demonstração de que há vidas difíceis paredes meias com uma das faces mais alegres e exuberantes do capitalismo (do entretenimento), e consegue-o sem nunca resvalar para o confronto ideológico. Percebemos, pelos gestos que preenchem o quotidiano daquelas pessoas, que a vida é um beco sem saída, pintado de cores berrantes.

Muito conseguida é também a personagem de Bobby, o gerente do motel (grande trabalho de representação de William Dafoe, praticamente sem safety net), que carrega muita da ambivalência do próprio espectador. Longe de ser uma personagem neutra, ou neutral, Bobby sabe que trabalha com as margens mais disfuncionais da sociedade (ou da cidade?), e gere essa relação com doses de implacável disciplina mas também de complacência solidária.

O facto de o olhar do filme ser quase completamente focado das crianças, e além disso adoptar o próprio olhar das crianças, é outro dos factores positivos do filme, que o tornam tão irresistível como um conto de fadas, os contos de fadas que de facto alimentam os visitantes do parque vizinho. Dizer que passamos o tempo todo do filme completamente fascinados com Moonee, e a actriz que lhe dá corpo, Brooklynn Prince, dá bem a medida do impacto que uma e outra têm.

Por outro lado, achei o filme um pouco frágil do ponto de vista dramático. Dada a ausência de um conflito que nos conduza (num filme onde o conflito faz parte do programa), o argumento faz um esforço enorme para manter uma cadeia de peripécias e episódios que mantenha o espectador interessado. Nem o final surpreendente e radical consegue aquietar a necessidade de drama que o espectador tem, ao contrário aumenta-lhe a perplexidade.
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