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mulheres de cinza, o meu tio, uma história de pássaros
rosas
innersmile


Lido o primeiro volume, Mulheres de Cinza, de uma trilogia que Mia Couto dedicou aos últimos dias do Império de Gaza, o grande reino que dominava todo o sul de Moçambique, e que os portugueses conquistaram no primeiro esforço sério feito para penetrar no interior do território moçambicano, já quem até aí, a ocupação se resumia a uma fraca presença em algumas localidades do litoral. Na última década do século XIX a capital portuguesa em Moçambique ainda era a Ilha de Moçambique, e só a partir destas campanhas de de ocupação de terrotório, com a transferência da capital para Lourenço marques, se pode dizer que verdadeiramente começa a ocupação colonial em Moçambique.

A minha infância foi povoada de histórias do Gungunhana, como o chamávamos em português, e do seu captor, o oficial Mouzinho de Albuquerque, que tinha uma estátua equestre na principal praça da cidade de LM. A minha bisavó Maria, que eu ainda conheci e com quem convivi diariamente, foi ver o Mouzinho a desfilar vitorioso pelas ruas da cidade, uma história que sempre ouvi contar a minha mãe.

O livro de Mia Couto conta a história desses últimos dias do império nGuni a partir de dois relatos alternados: o de uma rapariga de 15 anos residente de uma aldeia ocupada pelos portugueses, e o de Germano, sargento português, de facto o único ocupante do improvisado quartel da aldeia, através de correspondência que vai acentuando o desespero e a paranóia de quem está em estado de solidão total e se apercebe da inutilidade da campanha face à dimensão e à força da cultura local.

Mia Couto escreve, como já está estabelecido há muito, magistralmente, e o que mais apreciei no livro foi a sua capacidade de tornar inteligível para nós o universo de referências e valores de culturas que nos são muito distantes. Há uma maneira de ler o mundo e a vida que não entendemos e Mia Couto abre-nos a porta para essa leitura.



Dois contos muito bons, uma edição distribuída gratuitamente que me levou a comprar o jornal Expresso da semana passada (isso e a magnífica entrevista com Adolfo Mesquita Nunes, o vice-presidente do CDS).

O de Isabela Figueiredo, O Meu Tio, confirma a grande escritora que a autora é, e o seu talento para desenhar perfis psicológicos e sociológicos sempre com sentido de humor e a mais terna das ironias em relação às personagens.

O conto de Afonso Reis Cabral, Uma História de Pássaros, foi uma revelação, não conhecia o autor e gostei bastante da sua prosa escorreita, e do sentido de humor subtil.