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phantom thread
rosas
innersmile
Gosto muito dos filmes de Paul Thomas Anderson e, se bem que Boogie Nights e Magnolia tenham sido marcantes, acho que os filmes mais recentes do realizador têm uma gravidade, um peso, que os torna particularmente interessantes.

Por um lado, é a meticulosidade rigorosa da sua câmara, uma atenção obsessiva ao detalhe, uma composição perfeita do plano. Isso é particularmente notável em Phantom Thread, já que o filme se centra na figura de um costureiro inglês de meados do século XX, ele próprio um obsessivo pela delicadeza das texturas e pela subtileza dos pormenores.

Outro aspecto fascinante dos filmes de Anderson é complexidade das personagens, a sua densidade. São normalmente personagens que reunem em si o melhor o pior, transportam em si a capacidade de se sublimarem, de subirem acima da fasquia, de gestos da maior grandeza, mas trazem igualmente uma centelha malévola, uma certa capacidade de destruição, deles próprios e daqueles que estão à sua volta.

Phantom Thread tem ainda a mais valia de contar com três trabalhos de interpretação excepcionais. Dane Day Lewis, claro, é um actor fora de série, e anunciou que este é o seu último trabalho no cinema, para nossa grande perda. Mas a excelência da interpretação de Lewis é igualada pelas suas colegas de cena, Vickie Krips e em especial a Lesley Manville, um desempenho tenso e afinado como uma corda de violino.
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