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labirinto ou não foi nada
rosas
innersmile
Talvez houvesse uma flor
aberta na tua mão.
Podia ter sido amor,
e foi apenas traição.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua ...
Ai de mim, que nem pressinto
a cor dos ombros da Lua!

Talvez houvesse a passagem
de uma estrela no teu rosto.
Era quase uma viagem:
foi apenas um desgosto.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua...
Só o fantasma do instinto
na cinza do céu flutua.

Tens agora a mão fechada;
no rosto, nenhum fulgor.
Não foi nada, não foi nada:
podia ter sido amor.


É um poema lindíssimo escrito por David Mourão Ferreira e que já conhecera versão para fado. Mas no seu último disco, Nua, a Gisela João recuperou-o para um fado tradicional, o Fado Vianinha, e o resultado é de prender a respiração. E como se não bastasse, pô-lo num videoclip espantoso, com a Debora Kristal, e o seu criador Fernando Santos, a dar-lhe uma expressão ainda mais intensa, verdadeiramente melodramática.

Já não é novo, mas não me lembro de o ter posto aqui, e faz tanto sentido, é daqueles poemas, e agora canção, que ajudam a contar as nossas vidas.