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lou reed

Foi mágico (há ocasiões em que só o lugar comum tem sentido). Sem dúvida, um dos melhores concertos a que eu assisti. Uma energia pura, crua, eléctrica, a alternar com um fio de silêncio, com o sortilégio de uma palavra gritada ou sussurrada. Nunca me passou pela cabeça que ver o Lou Reed fosse assim, um exercício de subtileza e distorção. O homem é um deus, que não precisa de artifícios ou poses ou parafernália para se impôr: chega ali, e simplesmente começa a tocar a guitarra eléctrica e a cantar.
Os restantes músicos: Fernando Sauders, baixo e uns drums electrónicos, Mike Rathke, guitarra e caixinhas mágicas (wow, aqueles sininhos do Sunday Morning ao vivo!), Jane Scarpantoni, violenco e responsável por alguns dos momentos mais desvairados da noite, e Antony, que cantou um Candy Says arrepiante, daqueles que nos faz lembrar que não há ninguém que alguma vez não tenha sentido que a vida arde, dói, maltrata, magoa, que por vezes o ar que respiramos é ácido e queima-nos por dentro da pele, foram três ou quatro minutos de lágrimas. E ainda o Mestre Guang Yi Ren, que fez uns movimentos à 'O Tigre e o Dragão'. Para aí duas horas e meia de sonho. Muitas canções dos VU, O Sunday Morning, All Tomorrow Parties e Heroin, do disco da banana, a Different Colors Made of Tears, que eu acho que é do White Light White Heat, mas não tenho aqui o vinilo para conferir, o Dirty Boulevard, que eu acho que é do New York, mas também não tenho aqui o vinilo, o Ecstasy, e até o Smalltown do Songs For Drella, o Men of Good Fortune, do Berlin, e, claro, o Perfect Day do Transformer (ok, eu já não pedia o Wild Side, mas ele podia ter tocado o Satellite of Love, ou Vicious ou a I'm So Free, ou, pronto!, o Transformer todo) para além de canções do Raven, que eu não tenho, mas tenho de ir a correr comprar.
Comprei a t-shirt. Não é todos os dias que arranjamos uma t-shirt que à frente diz Lou Reed e atrás, entre outras cidades do Mundo, diz 'Coimbra-Portugal'. E vai ser daquelas coisas, como eu disse ao Pedro, que daqui a muitos anos, havemos de estar velhinhos, o Lou Reed já há-de ter morrido (quer dizer, se ele chegar a morrer, o que, francamente, não parece muito provável), e nós vamos dizer: "Ah, daquela vez que o Lou Reed tocou no Jardim da Sereia... Eu estive lá!
Tags: concertos
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