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inventários 2017
rosas
innersmile
Este ano, os inventários do costume chegam mais cedo e vêm reunidos numa só publicação. A partir de agora, novos livros ou filmes (nas outras categorias é muito improvável que haja novidades) que apareçam, só irei falar deles no próximo ano.

1.
Concertos

- Adriana Calcanhotto, com Arthur Nostrovski, TAGV
- Cristina Branco (Menina), com Luís Figueiredo, Bernardo Couto, Bernardo Moreira, ACMC
- Ute Lemper, CAE da Figueira da Foz
- Jacques Morelembaum, com Lula Galvão e Márcio Dhiniz, ACMC
- Grigory Solokov, Convento São Francisco
- Silvia Pérez-Cruz (Vestida de Nit), Convento São Francisco
- António Zambujo (Até Pensei Que Fosse Minha), Convento São Francisco

Dança

- CNB - Balanchine/Forsythe/Van Manen/Keersmaeker, CAE Figueira Foz

Teatro

- Quem Tem Medo de Virgínia Wolf, de Edward Albee, enc Diogo Infante, CAE Figueira Foz
- Simone, O Musical, de Tiago Torres da Silva, enc Tiago Torres da Silva, CAE Figueira Foz
- Mais Respeito Que Sou Tua Mãe, de Hernán Casciari, enc Joaquim Monchique, CAE Figueira Foz

Exposições e Museus

- Museu do Caramulo, coleções de arte, brinquedos e carros antigos

Poucos concertos, mas todos muito bons e inesquecíveis. Irrepreensíveis, os concertos de Cristina Branco e de António Zambujo, a apresentarem os seus mais recentes trabalhos discográficos. E uma ocasião única, a possibilidade de ouvir um recital de Solokov. Mas se tiver de escolher apenas um, terá de ser o da Sílvia Pérez Cruz, no auditório do Convento de São Francisco, e apesar do gigantismo da sala não ser nada apropriado à intimidade da música e do canto de SPC. Primeiro foi a revelação: já tinha ouvido a música, escutei previamente as canções, mas só naquele momento, ali, ao vivo, fui tocado pela sua força e pela sua doçura. Depois foi a força inspiradora daquela voz (e dos fantásticos arranjos para quarteto de cordas), o seu poder de efabulação, de nos levar através de narrativas imaginárias, a sensação de comunhão plena com as canções e os seus intérpretes, mesmo quando estamos desterrados lá na última fila do imenso auditório. Fez-me muito lembrar um concerto a que assisti, há muitos anos, da Lhasa de Sela, no Gil Vicente, e que foi igualmente transformador do ouvinte.

De assinalar ainda o espectáculo de dança da CNB (tinha e continuo a ter saudades de ver dança ao vivo) e, nos espectáculos teatrais, a emoção de Simone, O Musical.


2. Filmes

- Milky Road, de Emir Kusturica
- Little Men, de Ira Sachs
- Silence, de Martin Scorsese
- La La Land, de Damien Chazelle
- Moonlight, de Barry Jenkins
- Manchester By The Sea, Kenneth Lonergan
- Aquarius, de Kleber Mendonça Filho
- Denial, de Mick Jackson
- Dalida, de Lisa Aznelos
- The Zookeeper’s Wife, de Niki Caro
- Paula Rego, Histórias e Segredos, de Nick Willing
- Churchill, de Jonathan Teplitzky
- Paris Can Wait, de Eleanor Coppola
- Lady MacBeth, de William Oldroyd
- Return to Montauk, de Volker Schlondorff
- Victoria & Abdul, de Stephen Frears
- Al Berto, de Vicente Alves do Ó
- Blade Runner 2049, de Denis Villeneuve
- Django, de Etienne Comar
- Loving Vincent, de Dorota Kobiela e Hugh Welchman
- Quand On A 17 ans, de André Téchiné
- Peregrinação, de João Botelho
- Murder On The Orient Express, de Kenneth Branagh
- 120 Battements Pas Minute, de Robin Campillo
- Wonder Wheel, de Woody Allen

Acho que se tivesse de escolher o meu filme do ano, seria o Aquarius, do brasileiro Kleber Mendonça Filho, sobre a luta que uma mulher a envelhecer trava para guardar as memórias de uma vida como as outras, ou seja, cheia de alegrias e tristezas, de momentos de felicidade e de momentos de angústia, com uma actriz no seu melhor, Sónia Braga, e uma narrativa eficaz, segura e envolvente.

Mas destacaria igualmente outros filmes que me tocaram intensamente: Manchester By The Sea, de Kenneth Lonergan, sobre a possibilidade de recuperarmos de perdas irrecuperáveis, Quand On A 17 Ans, de André Téchiné, sobre as grandes descobertas da adolescência e que são sempre viagens interiores, Peregrinação, de João Botelho, que reinventa uma maneira de contar o livro de Fernão Mendes Pinto, e um filme que vi apenas em dvd, Paula Rego, Histórias e Segredos, de Nick Willing, que é uma espécie de mapa dos mistérios que a pintura de Paula Rego encerra, e que o filme mostra mas não decfra.


3

Livros (os títulos estão no idioma em que os li)

- Comer | Beber - Filipe Melo e Juan Cavia
- Vampiros - Filipe Melo e Juan Cavia
- A Pior Banda de Mundo I - José Carlos Fernandes
- A Pior Banda de Mundo II - José Carlos Fernandes
- O Segredo do Espadão I - Edgar P. Jacobs
- O Segredo do Espadão II - Edgar P. Jacobs
- O Segredo do Espadão III - Edgar P. Jacobs
- O Testamento de William S - Yves Sente
- Astérix e a Transitálica - Jean-Yves Ferri e Didier
- O Lótus Azul, de Hergé

- Nada Tem Já Encanto - Rui Knopfli

- Esaú e Jacó - Machado de Assis (ebook)
- Bilac Vê Estrelas - Ruy Castro
- Bufo & Spallanzani - Rubem Fonseca (ebook)
- 8 Minutos, Fabíula Bertolozzo (ebook)
- Ponta Gea - João Paulo Borges Coelho
- A Rainha Ginga - José Eduardo Agualusa (ebook)
- A Capital - Eça de Queirós
- O Segredo dos Braganças - Ricardo Correia

- Todo Teu: Quinta - Nuno Oskar (ebook)
- Todo Teu: Fim de Semana - Nuno Oskar (ebook)

- Francisco Pinto Balsemão - Joaquim Vieira
- Abril e Outras Transições - José Cutileiro
- Memórias Anotadas - José Medeiros Ferreira
- O Raio Verde: Crónicas - Fernando Fausto de Almeida
- Tenho Cinco Minutos Para Contar Uma História - Fernando Assis Pacheco
- A Doença, O Sofrimento e A Morte Entram num Bar - Ricardo Araújo Pereira
- Uma Autobiografia - Rita Lee
- Dicionário da Literatura Gay, 5ª edição - Luís Chainho e João Máximo (ebook)

- Itália, Práticas de Viagem - António Mega Ferreira
- Diário das Viagens Fora da Minha Terra - Eugénio Lisboa
- Legendary Pacific Coast: de Sidney a Cairns - Luís Chainho e João Máximo (ebook)

- O Factor Humano - Graham Greene (ebook)
- O Nosso Agente em Havana, Graham Greene (releitura)
- Só Nos Deixaram as Roupas Que Vestiam - Alan Bennett
- Diário de Um Zé Ninguém - George Grossmith
- O Escritor Fantasma - Philip Roth
- Enquanto a Inglaterra Dorme - David Leavitt (releitura)
- Our Young Man - Edmund White (ebook)
- O Ministério da Felicidade Suprema - Arundhati Roy
- A Rapariga Apanhada na Teia de Aranha - David Lagercrantz

- O Homem Que Gostava de Cães - Leonardo Padura
- O Labirinto dos Espíritos - Carlos Ruiz Zafón

- Logical Family, A Memoir - Armistead Maupin (ebook)
- Miles, The Autobiography - Miles Davis
- O Túnel dos Pombos - John Le Carré
- Sal Mineo, A Biography - Michael Gregg Michaud
- Autobiografía, O Mundo de Ontem - Stefan Zweig (ebook)
- Tio Tungsténio - Oliver Sacks (ebook)
- O Rio da Consciência - Oliver Sacks
- Fresh-Air Fiend - Paul Theroux (ebook)
- By The Seat of My Pants - (Antologia) org. Don George
- Em Viagem pela Europa de Leste - Gabriel Garcia Marquez
- Gilgamesh

- Granta Portugal 9: Comer beber
- Granta Portugal 10: Revoluções

Mais de 50 livros, muitos e bons. A leitura tem vindo a ser, e cada vez mais nos últimos anos, a minha companhia e o meu refúgio. Este ano li mais BD do que o costume, e, possivelmente pela primeira vez, mais livros de não ficção do que contos ou romances. Cada vez mais me apetece ler livros de memórias ou biografias (umas 10 obras, este ano) e de viagens (6). Li 14 livros em forma de ebook, menos do que gostaria pelo conforto que me dá a leitura em formato electrónico. E reli dois livros, do Graham Greene e do David Leavitt, dois autores que foram muito importantes em determinados períodos da minha vida, e que tenho vindo a redescobrir com igual ou maior entusiasmo.

É difícil destacar os melhores livros, desde logo porque “ser melhor” é um conceito complexo e subtil. Nuns casos, os melhores foram os mais divertidos, noutros, os que me proporcionaram mais revelações e descobertas. Os melhores livros são sempre aqueles que nos tornam a nós melhores pelo facto de os termos lido. Alguns desses, foram estes cinco: Os Vampiros, que resgata através da ficção a memória importante da guerra colonial em pranchas perfeitas e de uma beleza imensa, Ponta Gea, obra incategorizável que de forma delicada e intensa nos conduz por uma viagem pelas memórias de infância conduzida pelo poder narrativo da ficção, Miles: The Autobiography, uma das raras autobiografias de um músico que nos revela, não apenas a sua vida mas sobretudo a sua obra, a matéria de que é feita a sua música, Logical Family: a Memoir, porque Armistead Maupin fala da sua vida com a mesma alegria narrativa e a mesma intacta emoção com que nos contava as histórias dos moradores do número 28 de Barbay Lane, e O Fator Humano, porque Maurice Castle somos nós.