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pedro rolo duarte, RIP
rosas
innersmile
Estou muito triste com a notícia da morte de Pedro Rolo Duarte. Muito triste mesmo, até tenho vontade de chorar. Evidentemente não era amigo dele, mas conheço-o desde há muitos anos. O PRD esteve envolvido em alguns dos projectos da imprensa portuguesa que mais me entusiasmaram como leitor. No jornal SE7E, de que fui leitor desde a primeira até à última hora. No Independente, na fase de arranque, quando o jornal foi, mais do que uma lufada, um verdadeiro vendaval de ar fresco não apenas nos media mas na própria vida nacional (PRD era, se não estou em erro, o editor do suplemento cultural). Na revista Kapa, que foi a mais bonita revista que se fez desde sempre em Portugal, um luxo de prazer que era esta revista. Finalmente, no DNA, o suplemento cultural do Diário de Notícias, que editou durante muitos anos e que me obrigava a comprar o jornal em dias certos da semana.

Ou seja, sempre no jornalismo cultural. E sempre num estilo muito pessoal, entusiasta e entusiasmado, evidenciando uma característica que sempre me seduz, até porque não é tão frequente como deveria e se poderia pensar: era um tipo sensato. As suas opiniões eram sensatas. Dificilmente dizia ou escrevia disparates, e raramente falava do que não sabia. Olhava para as coisas, para a realidade, daquele ponto de vista que, em direito, dizíamos ser o de um bom chefe de família, o de uma pessoa normal, ou seja sob o signo do bom senso.

Para além da imprensa escrita, PRD também trabalhou, muito, na rádio e, talvez com menos frequência do que deveria, na televisão. Lembro-me sobretudo de um programa de entrevistas na RTP2 e de alguns programas de divulgação musical, na área da pop, na RTP1. Desde há algum tempo, vinha partilhando com João Gobern, outro histórico do jornalismo musical português, a autoria do programa Hotel Babilónia, na Antena 1, e foi igualmente responsável por um programa que passou, se não me engano à segunda.feira, entre as 11 e a meia-noite, o Mais Novos do Que Nunca, que revelava projectos e pessoas empreendedoras.

O Pedro Rolo Duarte era muito novo, mais novo do que eu, e o filho-da-puta do cancro apanhou-o. A gravidade do seu estado era, se não adivinhada, pelo menos pressentida, a avaliar pelas suas ausências dos microfones da rádio, aos sábados de manhã. Para além do desgosto da sua perda, e do que ela significa em termos de jornalismo cultural e de qualidade em Portugal, dói-me saber que os seus últimos tempos hão-de ter sido muito penosos. Não é grande consolo, mas só nos podemos agarrar, neste momento, à ideia de que, para além da família e dos amigos, não será esquecido por aqueles que foram seus leitores.

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Desapareceu cedo demais, tal como o pai
António Rolo Duarte também muito considerado
no meio jornalístico.As manifestações de pesar
têm sido muitas e ele decerto ficará na memória
de muitos que lhe reconheciam o talento.
Pessoalmente, como familiar fiquei sensibilizada
com as suas palavras.

Muito obrigado pelas suas palavras e pela sua atenção, Maria.

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