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astérix, todo teu, e o raio verde
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Leituras de fim de semana.



Mais uma aventura de Astérix, com argumento de Jean-Yves Ferri e desenhos de Didier Conrad. Não há grande coisa de novo a dizer. A banda desenhada criada por Uderzo e Gosciny era a minha preferida quando eu era miúdo. Ainda tenho uns álbuns desse tempo, que me foram oferecidos pelo Zeca Zulo quando nos encontrámos na Beira, para eu embarcar para Portugal, no êxodo de 1976. Tinha sido ele a apresentar-me os livros, nas estadias que fazia na nossa casa, em Nampula, entre idas e regressos para missões no mato. Era radiotelegrafista, e estava meses seguidos no mato. Foi também o Zeca Zulo que me ensinou um método de desenhar as caras de bonecos de banda desenhada. E, não estou bem certo disso neste momento, tinha de fazer um esforço de memória, mas acho que também foi ele que me ensinou a jogar xadrez. De todos os rapazes que passaram pela casa de Nampula por causa da guerra, o Zeca era o meu preferido, era o meu irmão mais velho.

Hoje em dia já não é a minha banda desenhada favorita (hello Blake & Mortimer), mas continuo a divertir-me muito com ela. Um dos aspectos mais engraçados dos livros do Astérix é descobrir os novos nomes, principalmente os dos romanos, e que funcionam sempre como uma espécie de comentário ao tempo que passa, e isso acontece mais uma vez, nomeadamente com o Bifidus Ativus.



Já tinha lido aqui há uns dias, mais um volume da série Todo Teu, de Nuno Oskar, que a Index Ebooks tem estado a editar. Mantêm-se, de um modo geral, os comentários que tenho feito aos volumes anteriores (este é, se não estou em erro, o sexto, e não sei se haverá mais algum, apesar da história ainda não estar "fechada"). Gosto da maneira como a narrativa é gerida, e do modo como o autor consegue captar e caracterizar ambientes. Já os personagens, acho que são pouco profundos, mesmo aos dois protagonistas falta-lhes densidade psicológica, apesar de acompanharmos, de forma alternativa, os pensamentos ora de um ora de outro.



Comecei ainda a ler O Raio Verde, um avultado volume de crónicas que têm sido escritas por Fernando Fernando de Almeida ao longo de 60 anos, no jornal A Voz da Figueira. Não os contei, mas são dezenas e dezenas de textos, quase todos curtos (o formato original a isso obriga), e que se dedicam sobretudo, mas não apenas, à literatura e ao cinema. O livro foi editado por uma editora chamada Bonecos Rebeldes, mas não o encontrei à venda nas livrarias. Consegui um exemplar de empréstimos, de uma amiga que esteve presente na sessão de lançamento da obra, há umas semanas atrás, cá em Coimbra.

Julgo ter referido aqui algumas sessões do cineclube a que assisti e que foram organizadas e apresentadas por Fernando Fausto de Almeida. Não o conhecia, e fiquei encantado com os seus conhecimentos, mas sobretudo com a simplicidade e o fascínio do seu discurso. Essas qualidades estão absolutamente presentes nestas prosas, acrescidas de uma escrita correctíssima, simultaneamente leve e profunda, com um sentido de humor muito subtil. Acho que gostaria de conseguir que os meus textos aqui no innersmile tivessem a mesma simplicidade e o mesmo interesse destas crónicas.

Claro, com um número de crónicas tão grande e abordando temas tão variados, é fácil ler o livro, pois, como se trata de textos sempre relativamente curtos, podemos escolher ler com maior atenção aqueles que à partida mais nos interessam. Um livro onde se aprende muito (até a escrever bem e de forma muito directa), e sempre de um modo muito divertido e entusiástico.

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