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o guarda-redes
rosas
innersmile
Não sou grande adepto de futebol. Há muitas outras coisas na vida que me prendem mais a atenção e o interesse do que a bola. Mas gosto, e acompanho, e, de vez em quando, até vejo um jogo (o que não vejo na TV são os debates acerca da bola, só, muito de vez em quando, uns clips no YouTube, quando os comentadores nos fazem a todos parecer mais ridículos do que já somos).

E sou adepto de dois clubes, o Sporting, porque sempre fui sportinguista, desde miúdo, era o clube do meu pai, e o Manchester United. O meu amor pelo MU não é de hoje nem de ontem, é muito antigo. De muito antes dos Mourinhos e dos Ronaldos. Vem desde finais de abril de 1984 quando partilhei um quarto de enfermaria num hospital em Londres, com o Douglas, e passámos um longo fim de semana de Páscoa praticamente os dois sozinhos, numa enfermaria e num hospital que se esvaziou para as férias da época. Vem desde que, poucos meses depois desse encontro, estava eu ainda em Londres, recebi uma carta da mulher do Douglas a dizer que ele tinha morrido e que tinha sido muito meu amigo. O Douglas era “mancunian” e grande adepto do Man Utd. Normalmente, quando o Manchester ganha fico contente. Ontem, o Manchester ganhou mas eu nem por isso fiquei muito contente.

Não gosto nada do Benfica. Por razões clubísticas, mas também porque há no nosso país um certo “benfiquismo” que, na minha opinião, sintetiza e exemplifica alguns dos piores defeitos dos portugueses enquanto colectivo. Por isso, normalmente, fico contente quando o Benfica perde. Mas ontem o Benfica perdeu e eu nem por isso fiquei muito contente.

Ontem o Benfica jogou com um guarda-redes novo, chamado Svilar. É novo na Benfica, mas é muito novo na idade. Tem 18 anos (fez em agosto, fui ver) e é belga (ou sérvio, vai dar ao mesmo). Às tantas, e na sequência de um livre do adversário, o Svilar salta, agarra a bola, e ao voltar ao solo, para reganhar o equilíbrio, dá um passo atrás e entra na baliza. Esqueceu-se foi de largar a bola e por isso fez um auto-golo. Foi golo. Um golo triste, sem glória nem alegria, sem vibração nem encanto.

Foi tão desolador, o Svilar ficou tão desolado que abriu as enormes mãos e pediu desculpa. Vê-se na TV, ele a pedir desculpa, com um ar de menino triste que comove o coração mais empedernido, seja ele adepto ou adversário do clube.

Mas o melhor veio a seguir, quando colegas e adversários foram dar-lhe abracinhos e animá-lo. Deixa lá, pá, não faz mal, estamos bem. Gosto do futebol quando é assim, quando mostra o melhor que há em nós.
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