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livros: francisco pinto balsemão, abril e outras transições
rosas
innersmile


Uma biografia entusiasmante, da autoria de Joaquim Vieira, um antigo jornalista e vice-director do Expresso, sobre aquele que é, sem margem para dúvidas, o maior e mais conhecido "patrão de imprensa" português, e protagonista inevitável da história da democracia nacional pós 25 de Abril.

Como não podia deixar de ser, o livro é igualmente uma memória do que foi, política, economica, social e sociologicamente, a segunda metade do século XX em Portugal, e das breves décadas que já leva este século em que habitamos. O que torna as coisas, para mim, ainda mais envolventes, porque guardo memória viva dos acontecimentos.

Ainda que seja considerada uma biografia não autorizada, isso não significa, neste caso, que estejamos perante um daqueles casos de "escacha-pessegueiro" sobre o biografado. Independentemente de alguns episódios "picantes" acerca da sua vida privada, o retrato de Francisco Balsemão é francamente positivo. Não tanto no sentido de que dele se transmite uma imagem favorável (o que, em todo o caso, é o que maioritariamente acontece), mas no de que o seu retrato parece verdadeiro, inteiro, um homem como os outros, com misérias e grandezas como todos os outros, que de toda a forma soube elevar-se acima das suas circunstâncias.

O mesmo não se poderá dizer de outras figuras que cruzaram de muito perto o percurso de vida de Balsemão, quer na política quer no jornalismo. Marcelo, o actual presidente, é um desses que sai chamuscado do retrato, a quem apenas a irreverência própria poupa a um adjectivo mais pesado. Outro que nem tem essa atenuante é, alegadamente, Freitas do Amaral, parceiro de Balsemão na Aliança Democrática e no governo e que, ao contrário do que se pode dizer do patrão do Expresso e da SIC, nem sempre terá estado à altura das circunstâncias, quanto mais conseguir ultrapassá-las.



Um curiosíssimo e muito interessante ensaio autobiográfico e político da autoria do antigo embaixador e comentarista José Cutileiro. Como o título deixa adivinhar, o tema são as transições: a revolução portuguesa do 25 de Abril, mas também dois outros acontecimentos nos quais o autor esteve envolvido no âmbito das suas funções: o fim do apartheid na África do Sul e a guerra nos Balcãs. A prosa é de grande estilo, e o sentido de humor só não surpreende porque nos recordamos das crónicas de A. B. Kotter.