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é importante dizê-lo
rosas
innersmile
«(...)E há duas razões para eu achar importante dizê-lo.
Que é homossexual?
Sim. Primeiro porque, como há pouco dizia, a questão de haver poucos deputados ou membros do governo de um determinado grupo tem muito a ver com como é que olho para essas pessoas, como me relaciono com esse outro. E com que empatia. E acho que se as pessoas começarem a olhar para políticos, pessoas do cinema, desportistas, sabendo-os homossexuais, como é o meu caso, isso pode fazer que a próxima vez que sai uma notícia sobre pessoas serem mortas por serem homossexuais pensem em alguém por quem até têm simpatia. E se as pessoas perceberem que há um seu semelhante, que não odeiam, que é homossexual, isso pode fazer que a forma como olham para isso seja por um lado menos não querer saber se essas pessoas são perseguidas, por outro lado até defender que assim não seja. Mas mesmo que seja só deixar de não querer saber já é um ganho.»


É apenas um excerto de uma interessantíssima entrevista de fundo que Graça Fonseca, actual Secretária de Estado da Modernização Administrativa (de que é ministra Maria Manuela Leitão Marques), jurista e socióloga que há 17 anos vem exercendo actividade política, concede hoje ao DN, à jornalista Fernanda Câncio. O resto da entrevista pode e deve ser lido neste link: http://www.dn.pt/portugal/interior/se-calhar-no-psd-ja-ninguem-liga-muito-a-passos-coelho-8719762.html

É verdade que citar o trecho acima tem muito a ver com a vontade de celebrar e dar visibilidade ao primeiro coming out de um político português em funções (os únicos outros dois políticos cuja homossexualidade é pública, o ex-deputado Miguel Vale Almeida e o actual deputado Alexandre Quintanilha, tinham assumido publicamente a sua identidade sexual antes de exercerem os respectivos cargos).

Mas é também reflectir nas razões que levaram a secretária de estado a assumir publicamente a sua homossexualidade, em especial na intenção de dar a esta declaração um carácter essencialmente político. É uma entrevista que nos ensina, a todos, a pensar. E é um orgulho, e também um certo alívio, sabermos que temos políticos que sabem pensar assim, com grande sentido de cidadania, de responsabilidade e de compromisso.

Não posso deixar igualmente de registar que, para além da sua homossexualidade e do facto de exercerem funções políticas, há uma outra coisa que publicamente liga as três pessoas referidas, o facto de integrarem ou estarem próximas do PS (creio que Vale de Almeida não é filiado, mas foi eleito deputado nas listas do PS e exerceu o cargo integrado no grupo parlamentar socialista). E não se trata de dizer isto com aquele orgulhozinho meio infantil com que se diz que fulano é do nosso clube, seja ele do sporting ou do benfica. Trata-se antes de constatar que o PS é o único partido político português (esperemos que deixe de ser o único para ser apenas o primeiro) que tem condições de militância que permitem que as pessoas não precisem de se disfarçar ou mascarar para poderem exercer actividade política.
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o ps é o único? menos entusiasmo, por favor. os partidos políticos estabelecidos e parlamentarizados são quase sempre clubes de interesses, não visam defender interesses de eleitores nem reflectir as suas aspirações. São clubes de interesses dos seus dirigentes e financiadores. pensar o ps, ou outro qq partido, como espaço de liberdade pessoal é um pouco infantil.

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