Previous Entry Share Next Entry
livro de autógrafos
rosas
innersmile



Por causa do livro de João Paulo Borges Coelho, Ponta Gea, e de uma passagem de que falei aqui há dias, fui à procura do meu livro de autógrafos, que estava guardado numa das caixas que contêm coisas que trouxe da casa dos meus pais, do meu antigo quarto.

Antigamente os livros de autógrafos serviam principalmente para recolhermos a assinatura, e a recordação das celebridades com quem nos cruzávamos na vida. Como hoje somos amigos delas nas redes sociais, acho que esse valor quase icónico que tinham esses caderninhos, terá deixado de fazer sentido.E depois havia também, por modas que é como estas coisas funcionam, a mania de usar os livros para guardar os autógrafos dos amigos e dos colegas de liceu.

Claro que eu queria ter um livro de autógrafos, toda a gente tinha, e a minha mãe comprou-me um com a ideia de o usar especialmente para recolher as assinaturas dos artistas e outras celebridades que se deslocavam a Nampula. O meu pai sempre integrou os órgãos sociais do Clube Ferroviário que, nessa época, conseguia trazer ao Pavilhão muitos espetáculos e artistas, que faziam as suas digressões por África. O livro de João Paulo Borges Coelho, de resto, também fala dessas turnês dos artistas.

Claro que não demorei muito a usar o livro para recolher os autógrafos dos amigos, e ainda bem, porque tenho nesse livro as recordações dos raríssimos amigos desse tempo que ainda conservo, e até de pessoas de quem não tenho qualquer lembrança mas que marcam passagens decisivas da minha vida. Por exemplo, tenho os autógrafos de duas colegas de liceu que assinaram poucos dias antes da minha partida para Portugal, em outubro de 1976. São seguramente das últimas marcas que tenho da minha vida em Moçambique.

Mas voltando às celebridades, e fazendo a ponte para o livro de Borges Coelho e a referência ao Al Pereira, a maior parte dos autógrafos são dos boxeurs, como o Mapepa, que é citado no livro, e dos lutadores de luta livre que iam a Nampula participar em combates e exibições que tinham lugar no pavilhão do Ferroviário e que eram organizados justamente pelo Sr. Al Pereira.

Mas além desses tenho ainda uns poucos de autógrafos interessantes, como o do Joselito, que tinha sido uma daquelas crianças estrelas, de nacionalidade espanhola, e que gravava discos e entrava em filmes. De resto, já nem sei porque razão, lembro-me até de que o Joselito pernoitou lá em casa, nesta sua deslocação a Nampula, e que foi muito simpático e cordial, mas também discreto e reservado. Outro autógrafo é o do Rui de Mascarenhas, que era um cantor romântico, um género que tinha como nome mais popular o António Calvário. Havia na casa dos meus pais um 45 rpm com o Rui de Mascarenhas a cantar o seu grande êxito, Encontro às Dez e, no labo B, a versão portuguesa do tema A Noiva.

Mas, para mim, a glória dos meu livro de autógrafos é o do Ouro Negro, com uma dedicatória em meu nome e a assinatura dos dois membros do duo, o Milo MacMahon e o Raul Indipwo. Hélas, não me lembrava nada desta ocasião, e apenas com um esforço de memória muito grande parece que consigo recordar-me muito vagamente do concerto deles no Pavilhão. Que pena eu não me lembrar disto, porque o Ouro Negro sempre foi um dos meus grupos favoritos na infância, um gosto que recuperei há poucos anos, quando me lembrei de ir escutar as suas canções na internet. Também tinha um single deles, com a Maria Rita, e se não estou em erro, também na capa do disco tinha a seu autógrafo.

?

Log in

No account? Create an account