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jeanne moreau
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"Toi qui me parlais d'elle
De son nom oublié
De son corps, de mon corps
De cet amour là
De cet amour mort"


Se eu fechar os olhos e me lembrar de repente da Jeanne Moreau, o que é que me vem à cabeça? Jules et Jim, o filme de François Truffaut. Moreau a fazer de dona do bordel e a cantar Each Man Kills the Thing He Loves, no filme Querelle de Rainer Fassbinder. E a sua voz, a cantar a India Song, a canção de Carlos d’Alessio do filme da Marguerite Duras.

Claro, depois, com a ajuda do google, vou-me lembrando de outros filmes que vi com ela. Do próprio Truffaut, como A Noiva que Estava de Luto. Ou Moreau a fazer de Duras em Cet Amour Lá, o filme baseado na obra autobiográfica de Yann Andréa. Ou muitos muitos outros, que Jeanne Moreau terá feito, ao longo da sua longa carreira, mais de centena e meia de filmes.

Pode ser apenas uma questão de nostalgia, esta sensação de que estão a desaparecer os nomes que faziam o mundo quando eu o conheci. Mas talvez por causa de sua juventude, por se tratar de uma arte muito recente e portanto em rápida transformação, essa constatação parece particularmente verdadeira no caso do cinema. Houve de facto uma época em que o cinema era outro, diferente do que é actualmente. Em que o cinema comercial e o cinema de autor, ou de arte e ensaio, tinham de facto percursos comuns. Em que os filmes falavam de nós, da vida como ela era, ou como ela é, e não nos davam apenas modelos narrativos mais ou menos estereotipados, de escapismo e alienação. Em que havia grandes realizadores, que faziam filmes muito pessoais, só deles. E actrizes como Moreau, que escolhiam os filmes em que entravam e os realizadores com quem queriam trabalhar.

Jeanne Moreau, cuja notícia da morte fez começar mal a semana, era uma actriz desse tempo, ou mais propriamente desse cinema. Eu continuo a divertir-me muito com os filmes que vejo. Mas havia um fascínio, feito de sedução e encantamento, que se sentia quando se via o rosto e se ouvia a voz de Jeanne Moreau no grande ecrã, que é cada vez mais raro no cinema actualmente.



"Chanson,
Toi qui ne veux rien dire
Toi qui me parles d'elle
Et toi qui me dis tout
Ô, toi,
Que nous dansions ensemble
Toi qui me parlais d'elle
D'elle qui te chantait
Toi qui me parlais d'elle
De son nom oublié
De son corps, de mon corps
De cet amour là
De cet amour mort
Chanson,
De ma terre lointaine
Toi qui parleras d'elle
Maintenant disparue
Toi qui me parles d'elle
De son corps effacé
De ses nuits, de nos nuits
De ce désir là
De ce désir mort
Chanson,
Toi qui ne veux rien dire
Toi qui me parles d'elle
Et toi qui me dit tout
Et toi qui me dit tout"

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