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a voz e o seu canto
rosas
innersmile
É preciso voltar ao assunto. Porque ficou muito por dizer, ficou tudo por dizer. Porque a essência, pela sua natureza, escapa à definição. Porque a voz, e em concerto isso acontece ainda com mais intensidade do que nas gravações, é uma abstracção. É intangível e inefável. Só por ser uma abstracção é que sentimos um arrepio quando a ouvimos. A voz atinge um lugar onde não conseguimos ir, aonde não há palavras que nos transportem. Esse lugar fica dentro de nós, é o lugar mais recôndito e inacessível de nós. O lugar em nós onde existimos para além, ou para aquém, do que nos rodeia, da vida quotidiana que nos alimenta e desgasta. Somos de certa forma abençoados quando conseguimos viajar até esse lugar, sem que essa viagem assuma proporções que nos escapem completamente ao controlo. Poder ir, e regressar de modo mais ou menos incólume. É esse o privilégio, raro, que a voz e o seu canto nos concede.



[Este clip da Sílvia Pérez Cruz a cantar o Cucucurrucucu Paloma, na noite de 27 de maio, foi gravado pela minha amiga Ana, lá da última fila do gigante auditório, para onde a obriguei a ir. Vê-se longe, eu sei, mas ouve-se muito]

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desculpa só agora estar a responder (mas até parece que estava à espera deste segundo post).
é divinal, tudo, a voz, a postura, a entrega, isso, e não a conhecendo mas parecendo que sim, por ter visto todos (ou quase todos os clips do youtube, até as entrevistas), mas como referes no outro texto, estaria mais adequada a um auditório mais pequeno, intimista, e esta canção, claro, que bom que ela a cantou, como se fosse só para ti, e até foi :)
e estou ansiosa pelo concerto de lisboa.

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