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jacques morelembaum, lula galvão, márcio dhiniz
rosas
innersmile
Sessão de luxo, ontem, nas quintas do Conservatório de música de Coimbra: Jacques Morelembaum em trio, com Lula Galvão, no violão, e Márcio Dhiniz, na bateria, a tocar temas próprios e a revisitar clássicos da canção popular brasileira. Sempre, é claro, o incontornável Tom Jobim, mas também, por exemplo, uma versão deliciosa de uma das minhas canções preferidas, Coração Vagabundo, do Caetano (“que passou por meus sonhos, sem dizer adeus, e fez dos olhos meus um chorar mais sem fim”).

Aliás, fui confirmar a uma entrada antiga do innersmile, em junho de 2003, a um concerto do Morelembaum2+Sakamoto (um projecto que rendeu um disco fabuloso, Casa, e creio que um outro ao vivo), no Jardim da Sereia, em Coimbra, e lá estava registado que nesse concerto, um dos meus momentos preferidos foi quando tocaram o Coração Vagabundo. Há canções que nunca andam muito longe de nós, toda a vida.

Para além desse concerto com Ryuichi Sakamoto e Paula Morelembaum, todas as outras vezes que vi o violoncelista ao vivo foi a acompanhar o Caetano Veloso, durante o longo período que durou a sua parceria, e que foram, acho eu, os melhores anos do Caetano. O violoncelo de Morelembaum trazia às canções do Caetano, para além de uma enorme criatividade nos arranjos, um toque de melancolia que acentuava bem o natural lirismo dos seus temas.

Adorei por isso poder assistir agora, e finalmente, a um concerto em que Morelembaum é líder, numa formação que cruza com virtuosismo a liberdade criativa do jazz com a tradição e o embalo da bossa nova. É evidente que não tinha dúvidas acerca da sua qualidade, mas poder participar dela em concerto é outra coisa, uma oportunidade fantástica. Foi um grande concerto, e foi, além disso, uma excelente ocasião, a marcar esta edição das temporadas de concertos do conservatório.
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