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Adriana, Petra e outras coisas mais

Concerto da Adriana Calcanhotto, quarta-feira, em Coimbra. O Pavilhão da Académica confirmou aquilo que eu já suspeitava, ou seja, de que é um sítio completamente desadequado para concertos, com uma acústica péssima e com uma total falta de "ambiente". Ainda por cima a plateia, onde eu fiquei, estava cheia de tias loiras, daquelas que copiam o modelo 'cinha jardim', com as calças de ganga descaídas, as pulseiras e os anéis em "catadupla" (como dizia a outra) e o fedor pestilento a perfumaria Mars, penduradas, com um ar catatónico, em viris machos igualmente fedorentos de pantufa (ou lá o que é!) sem meias e gel na careca, e que chegam meia-hora atrasadas ao concerto porque acham que as pessoas "bem" chegam sempre atrasadas e nunca ninguém lhes disse que não!, só chegam atrasadas as pessoas que não tiveram educação quando eram pequeninas.
Mas pronto, a Adriana é um ser superior, e consegue fazer esquecer tudo isso! Foi um concerto "produzido" (ao contrário do anterior que eu tinha visto, do tour Público), com direcção musical arrojada, músicos competentes, cenário a remeter para o disco 'Cantada', movimentações de cena (o "jogo" entre Adriana e o Dé Palmeira sempre simples e muito bem-humorado, a dar um toque teatral às canções), e a sensibilidade e a inteligência da Adriana a tomar conta das canções.

Ontem fui à Póvoa, a uma daquelas celebrações familiares a que não se pode mesmo faltar. A parte má é que saí de Coimbra às onze e meia, cheguei lá à uma, o meu carro não tem ar condicionado, e eu tive de ir todo vestidinho. A parte boa é que se fosse Janeiro, estivessem três graus negativos, chuva torrencial e um nevoeiro cerrado, era pior!

Ontem à noite foi o concerto de despedida da dupla formada pela Petra e pelo Georgios. Nunca os vi a tocar ao vivo, e não me consigo perdoar por nunca ter feito aquele esforço suplementar para conseguir dar um salto a Lisboa numa noite de concerto. Mas tive o supremo gozo de ver uma gravação de um dos concertos sentado numa cadeira com o braço da menina enfiado no meu, o que, se não me redime por completo, pelo menos deu-me 'a taste of heaven'! A avaliar pelas reacções, o concerto de ontem deve ter sido memorável. Bom, resta-me sempre, para me consolar, aquela minha crença profunda e inabalável de que, na vida, o melhor ainda está sempre para vir!

Soube pelo retorta que o Francisco José Viegas tem um blog, o Aviz. O FJV é dos meus escritores favoritos, tanto na ficção (penso que li todos os livros dele, ou pelo menos, li todos os que me apareceram à frente), como na poesia, como no jornalismo (tenho de confessar que não sou leitor regular da Grande Reportagem, mas fui seu fervoroso adepto durante o tempo em que dirigiu a Ler; além disso fui sempre espectador dos seus programas de televisão, sobretudo aqueles que eram sobre livros), como, até, nalguma da 'geografia' do universo literário do FJV: a Irlanda, os Açores, e, mais recentemente, Moçambique (falta-me a Islândia, mas lá iremos). Vou ser fiel do Aviz, claro, como já sou do Abrupto e da Janela Indiscreta. É uma espécie de milagre, este que a internet possibilita, de acompanharmos mais de perto, quase como se partilhássemos (apesar de este "como" ser aqui sobretudo um comparativo, quase um símile!), os dias e a escrita daqueles que admiramos.
Tags: calcanhotto, concertos
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